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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 287

— Mano, me espera!

Lívia pegou o celular em cima da cama e saiu correndo atrás dele.

Henrique disparou até o pátio da frente. Quando viu o carro de Lívia parado ali, percebeu na mesma hora que seria mais rápido do que ir até a garagem. O peito queimava, o coração parecia prestes a explodir. Não havia tempo para buscar o próprio carro.

Quando Lívia finalmente o alcançou, ele se virou de imediato.

— Me dá a chave.

Lívia tirou a chave do bolso, mas a apertou com força na mão.

— Até que horas você ficou bebendo ontem?

— Não sei... Umas três, quatro da manhã, talvez. Nem lembro mais. — Henrique mal conseguia respirar. O rosto estava tomado pelo pânico. — Não dá mais tempo. Me entrega a chave.

— Não. Faz pouco tempo desde que você bebeu. Do jeito que está, isso ainda é dirigir sob efeito de álcool. — Lívia o afastou para o lado, abriu a porta e se sentou no banco do motorista. — Entra. Eu te levo até o cartório.

— Tá.

Henrique não hesitou nem por um segundo. Contornou a frente do carro, entrou no banco do passageiro e puxou o cinto com pressa.

Lívia deu partida e arrancou da propriedade.

Assim que o carro deixou o pátio principal, o portão automático se fechou atrás deles com um estalo seco.

Na parede à esquerda, uma placa elegante trazia duas iniciais entrelaçadas: C&H.

As ruas da cidade já estavam tomadas pelo trânsito, mas naquela manhã pareciam ainda mais congestionadas.

Para Henrique, cada minuto, cada segundo, era um tormento.

Ele abriu a janela, deixando o vento fresco da manhã entrar, numa tentativa inútil de espantar também o cheiro de álcool que ainda impregnava seu corpo.

Com o cotovelo apoiado na porta, mantinha o rosto fechado, sombrio, pesado. Os olhos vermelhos, cortados por veias saltadas, denunciavam o desgaste brutal daqueles dois dias e uma noite. Ele tinha se consumido por inteiro, abatido, exausto, devastado, como se a dor tivesse arrancado dele qualquer vestígio de força.

— Vai mais rápido.

A voz de Henrique saiu fria, ríspida, urgente.

— Essa é uma avenida principal, mano. Tem limite de velocidade. — Rebateu Lívia, sem saber mais o que fazer.

Henrique manteve os olhos cravados na pista à frente, ainda relativamente livre, e a ansiedade em sua voz só aumentou.

— Pisa fundo, Lívia. Anda. Mais rápido.

Dentro do que ainda era seguro, Lívia acelerou o máximo que podia e virou o rosto de leve para olhá-lo.

Seu irmão, que sempre fora radiante, vibrante, cheio de vida... Como tinha chegado àquele estado?

O homem ao seu lado já não parecia o mesmo.

Restava nele apenas um ar de ruína, abatido, envelhecido pela dor, inseguro, tomado por uma tristeza amarga, como alguém que tivesse perdido tudo.

Desde pequeno, Henrique nunca tivera falta de nada. Tinha talento de sobra, uma aparência marcante e sempre fora o tipo de homem que despertava inveja e admiração por onde passava.

Era o verdadeiro escolhido da sorte.

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