Na manhã seguinte, o céu amanheceu limpo, sem uma nuvem sequer.
Na mansão da família Oliveira, Cláudio apareceu impecável. Vestia um terno de corte refinado, trazia o cabelo curto meticulosamente arrumado, um relógio de luxo no pulso e um perfume discreto, na medida certa. Estava elegante, sóbrio, com o ar de quem se preparava para uma ocasião importante. Com a pasta de documentos do cartório em mãos, desceu as escadas.
Lílian estava esparramada no sofá, concentrada no celular. Ao ver o irmão daquele jeito, arqueou uma sobrancelha.
— Nossa, mano... Que produção toda é essa? Vai sair pra um encontro às cegas?
— Vou me casar. — Respondeu Cláudio, num tom leve, quase casual.
Lílian fez biquinho e soltou uma risadinha.
— Essa hora da manhã e você já veio com piada?
Cláudio se aproximou, apoiou as duas mãos no encosto do sofá e se inclinou na direção dela.
— Não estou brincando. Presta atenção no que eu vou te dizer: a partir de hoje, Carolina vai ser sua cunhada. Então comece a tratar a Carol com o respeito que ela merece. Se faltar com respeito com ela, vai estar faltando comigo também. Entendeu?
O choque foi tão grande que Lílian ficou rígida na mesma hora. As mãos travaram, e até o olhar vacilou.
— Você está falando sério? Vai mesmo casar-se com a Carolina?
Cláudio sorriu de leve, comprimiu os lábios e deu dois tapinhas na cabeça dela.
— Vou. Ontem ela me pediu pra gente se casar logo, sem enrolação. E eu aceitei.
— Mas por quê? — Lílian largou o celular, ajoelhou-se no sofá e se virou de corpo inteiro para encará-lo. — Ela não gostava do Henrique?
Cláudio soltou uma risada baixa.
— Pra conquistar uma mulher, às vezes você tem que saber jogar. Depois eu te ensino, sem pressa.
— Então me ensina. Me ajuda a conquistar o Henrique.
— Era melhor você escolher outro cara. O Henrique é certinho demais, íntegro demais pra se meter numa relação dessas. Ele te vê como irmã. Do jeito que vocês foram criados, você não tem chance nenhuma com ele.
— Ah, fala sério. — Lílian revirou os olhos, tornou a se sentar, pegou o celular de novo e voltou para o jogo. Enquanto os dedos corriam pela tela, resmungou. — Então vai logo.
Cláudio deu um empurrãozinho na nuca dela.
— Você não faz nada da vida. Acorda e vai direto pro joguinho. Inútil.
Depois disso, virou-se e seguiu em direção à porta.
— Inútil é você. — Rebateu Lílian, irritada, encarando a partida que já tinha perdido, enquanto xingava baixinho as costas dele.
Em seguida, pegou o celular, tirou uma foto dele saindo e postou nos stories:
[Meu irmão vai se casar com o grande amor da vida dele.]
A mansão era enorme, imponente e silenciosa. Apesar dos milhares de metros quadrados, só Henrique morava ali.

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