Carolina ergueu os olhos para Henrique. Havia um brilho úmido oscilando em suas pupilas, e a névoa das lágrimas deixava seu olhar difuso, quase etéreo. Ela sorria, mas carregava naquela expressão uma tristeza sutil, difícil de nomear.
O coração de Henrique falhou por um instante ao vê-la assim.
Com a voz mais branda, ele perguntou:
— Você... Tá bem?
Carolina sorriu e balançou a cabeça.
— Tô. É só que... Fiquei um pouco mexida.
— Eu estava falando dos seus defeitos, não das suas qualidades. — Henrique curvou os lábios num sorriso breve, sem entender. — O que foi que te deixou tão tocada assim?
— Você não entende... — Carolina murmurou baixinho.
Em seguida, levantou-se e foi até Leandro.
Assim que a conversa entre ele e Cláudio terminou, ela falou num tom calmo, mas frio:
— Leandro, o Rick não tem relação nenhuma com a sua ex. Um favor ocasional não exige que ela venha pessoalmente agradecer. Se foi você quem a trouxe, então leve-a embora. Se ela veio por conta própria, eu mesma vou pedir que se retire.
Leandro soltou um sorriso constrangido.
— Ah, Carol, amigo de amigo acaba virando amigo também. Ela trabalha com vendas, vive conhecendo gente, fazendo contato... Não tem maldade nenhuma nisso. Você também não precisa implicar tanto com ela.
Conhecer mais gente?
Carolina virou o rosto e olhou para a mesa de centro.
Vitória estava completamente à vontade, circulando com elegância, sorrindo e conversando com todos. Era claramente do tipo que sabia se mover em qualquer ambiente social.
E aquele não era um ambiente qualquer.
Quase todos os homens reunidos ali eram figuras influentes da Nova Capital, gente de poder, prestígio e dinheiro. Ou eram herdeiros de famílias ricas, ou filhos da elite política. Ou vinham de um berço poderoso, ou tinham construído o próprio nome com talento e carreira.
Qualquer um deles, sozinho, já representava um mundo ao qual gente comum dificilmente teria acesso.
O rosto de Carolina esfriou.
— Leandro, a Lari está vindo pra Nova Capital. Você sabia?
Leandro estremeceu na mesma hora.
— Hã? Como assim? Quando?
— O voo é hoje.
— Mas por que a Lari viria pra cá?
Carolina respondeu com uma calma quase cruel:
— Porque eu contei a ela tudo o que vi e ouvi na Nova Capital.
— Puta merda, Carolina, qual é o seu problema? — Leandro perdeu de vez a compostura. Falou na cara dela, sem o menor cuidado. Com as mãos na cintura, puxou o ar com força. O rosto estava sombrio, e o olhar, agressivo. — Eu já falei que não tem nada entre mim e a Vi! Você quer acabar com a minha família, é isso?
Carolina nem chegou a abrir a boca. Henrique já tinha se aproximado com a cadeira de rodas. Quando falou, sua voz saiu baixa e cortante:
— Você está falando assim com quem?
Leandro travou na mesma hora.
Diante do olhar frio de Henrique, um olhar que impunha respeito mesmo sem ele precisar levantar a voz, sentiu um suor gelado escorrer pelas costas.

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