— Tem certeza de que não está esquecendo nada?
O cérebro de Carolina disparou na mesma hora. Ela repassou mentalmente tudo, uma coisa após a outra, mas ainda assim não conseguiu perceber o que tinha deixado passar.
Só quando Henrique ergueu a mão e fez um gesto com o dedo, chamando-a para perto, é que ela entendeu.
As bochechas dela se aqueceram de leve, e um sorriso tímido, envergonhado, surgiu no canto dos lábios.
Carolina caminhou até a cama em passos calmos, sentou-se na beirada e pousou as duas mãos nos ombros largos dele. Então se inclinou, ergueu o rosto e encostou os lábios nos seus.
No instante em que os lábios mornos e macios dela tocaram a boca fina de Henrique, seu coração estremeceu.
A respiração dos dois se misturou de imediato.
Ela sentia com clareza o perfume fresco do banho no corpo dele.
Misturado ao aroma de lavanda espalhado pelo quarto, aquilo a deixou tonta antes mesmo de provar qualquer bebida.
Mas, justo quando encerrava o beijo de boa-noite e começava a se afastar, Henrique a puxou de volta de repente.
Num movimento rápido, ele segurou a nuca dela com a mão esquerda e a cintura com a direita, colou seu corpo ao dele e aprofundou o beijo sem a menor delicadeza.
Carolina só tinha querido lhe dar um beijo de boa-noite.
Henrique, porém, a beijava como se quisesse consumi-la inteira.
Beijou-a com tanto ardor que ela quase ficou sem ar, até o corpo inteiro amolecer e desabar sobre o dele.
Ela nem soube quanto tempo passou.
Quando finalmente empurrou os ombros largos dele e conseguiu escapar daquele beijo à força, já estava ofegante, respirando baixinho. A voz saiu mole, carregada de manha:
— Não era só um beijo de boa-noite? O que foi isso?
Henrique respondeu apenas com uma risada baixa.
A mão grande dele subiu até o rosto dela. Com a aspereza morna do polegar, acariciou devagar seus lábios avermelhados e inchados. Nos olhos dele, o desejo era impossível de esconder. A respiração pesou, o pomo de adão se moveu, e ele murmurou, rouco:
— Não bebe demais. Eu não tenho como cuidar de você direito agora.
Aquele gesto tão simples fez o corpo inteiro de Carolina estremecer.
Era como se uma corrente elétrica saísse da ponta dos dedos dele, passasse por seus lábios e se espalhasse pelo resto do corpo. Até o coração pareceu falhar por um instante, perdendo o compasso.
Aquela carícia a desarmava ainda mais do que o beijo.
Carolina se apressou em segurar o pulso de Henrique, interrompendo à força aquela provocação perigosa.
— Eu não vou ficar bêbada. Vai descansar. Vou ali ligar pra Lari.
Assim que terminou de falar, levantou-se depressa e praticamente fugiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

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