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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 325

— Tem certeza de que não está esquecendo nada?

O cérebro de Carolina disparou na mesma hora. Ela repassou mentalmente tudo, uma coisa após a outra, mas ainda assim não conseguiu perceber o que tinha deixado passar.

Só quando Henrique ergueu a mão e fez um gesto com o dedo, chamando-a para perto, é que ela entendeu.

As bochechas dela se aqueceram de leve, e um sorriso tímido, envergonhado, surgiu no canto dos lábios.

Carolina caminhou até a cama em passos calmos, sentou-se na beirada e pousou as duas mãos nos ombros largos dele. Então se inclinou, ergueu o rosto e encostou os lábios nos seus.

No instante em que os lábios mornos e macios dela tocaram a boca fina de Henrique, seu coração estremeceu.

A respiração dos dois se misturou de imediato.

Ela sentia com clareza o perfume fresco do banho no corpo dele.

Misturado ao aroma de lavanda espalhado pelo quarto, aquilo a deixou tonta antes mesmo de provar qualquer bebida.

Mas, justo quando encerrava o beijo de boa-noite e começava a se afastar, Henrique a puxou de volta de repente.

Num movimento rápido, ele segurou a nuca dela com a mão esquerda e a cintura com a direita, colou seu corpo ao dele e aprofundou o beijo sem a menor delicadeza.

Carolina só tinha querido lhe dar um beijo de boa-noite.

Henrique, porém, a beijava como se quisesse consumi-la inteira.

Beijou-a com tanto ardor que ela quase ficou sem ar, até o corpo inteiro amolecer e desabar sobre o dele.

Ela nem soube quanto tempo passou.

Quando finalmente empurrou os ombros largos dele e conseguiu escapar daquele beijo à força, já estava ofegante, respirando baixinho. A voz saiu mole, carregada de manha:

— Não era só um beijo de boa-noite? O que foi isso?

Henrique respondeu apenas com uma risada baixa.

A mão grande dele subiu até o rosto dela. Com a aspereza morna do polegar, acariciou devagar seus lábios avermelhados e inchados. Nos olhos dele, o desejo era impossível de esconder. A respiração pesou, o pomo de adão se moveu, e ele murmurou, rouco:

— Não bebe demais. Eu não tenho como cuidar de você direito agora.

Aquele gesto tão simples fez o corpo inteiro de Carolina estremecer.

Era como se uma corrente elétrica saísse da ponta dos dedos dele, passasse por seus lábios e se espalhasse pelo resto do corpo. Até o coração pareceu falhar por um instante, perdendo o compasso.

Aquela carícia a desarmava ainda mais do que o beijo.

Carolina se apressou em segurar o pulso de Henrique, interrompendo à força aquela provocação perigosa.

— Eu não vou ficar bêbada. Vai descansar. Vou ali ligar pra Lari.

Assim que terminou de falar, levantou-se depressa e praticamente fugiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

Depois de beber, Larissa passou a manga na boca de forma brusca.

— Eu e ele não vamos mais ser felizes. — A voz falhou. — Eu quero me divorciar...

Carolina levou um susto.

— Quando eu te falei que achava o Leandro estranho, foi porque queria que você se prevenisse logo, antes que aparecesse outra mulher no meio. Mas como isso foi parar em divórcio?

— O fato de ele ser um filhinho da mamãe eu até suportei.

Larissa foi enchendo o próprio copo enquanto falava, com a voz carregada de cansaço e tristeza.

— O que eu não consigo engolir é que ele escondeu de mim que emprestou duzentos mil pra ex pagar uma dívida.

Fez uma pausa, os olhos já marejados.

— Eu desci do avião com meu filho de seis meses no colo e uma mala enorme atrás de mim. Liguei pra ele do aeroporto e pedi que fosse nos buscar. Sabe o que ele disse? Que estava ocupado demais, sem tempo, e que eu pegasse um táxi. Eu achei que ele estivesse trabalhando... mas não. A filha da ex dele tinha batido a cabeça, e ele estava levando a ex e a menina pro hospital. Me diz se isso não é ridículo?

Carolina sentiu tanta dor por ela que não conseguiu dizer nada.

Larissa sorriu, mas as lágrimas começaram a cair.

— E o mais ridículo de tudo é que aquela menina tem pai. O pai dela não morreu. E, mesmo assim, o Leandro nunca foi tão atencioso com o próprio filho quanto foi com ela.

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