— Ele ainda vive nesse vai e vem com a Vitória. E ainda joga a culpa em cima de mim, dizendo que sou eu que invento coisa sobre os dois, que a louca da história sou eu. Antes de vir te chamar pra beber, a Vitória ligou de novo pro Leandro. Não sei o que ela falou, mas ele ficou aflito na hora, pegou a chave do carro e já ia sair. Aí eu enfiei o menino no colo dele e fui embora. Agora eu nem sei se ele ficou em casa cuidando do nosso filho ou se levou a criança com ele atrás da Vitória. Sinceramente, Carol... Eu vou me divorciar dele.
Larissa passou a noite inteira derramando toda a amargura que carregava. Bebeu, chorou e abriu o coração, expondo uma a uma as feridas que aquele casamento tinha lhe deixado.
No fim das contas, chegou a uma conclusão simples: mulher tinha mesmo era que namorar, não casar, ter carreira, ter filho e não ter marido. Esse, sim, era o estado perfeito da vida.
Completamente bêbada, terminou até invejando Carolina.
Só a própria Carolina sabia o peso que também carregava.
No meio da noite, ela levou Larissa, já embriagada, até o quarto de hóspedes, ajeitou-a na cama e deixou o celular sobre o criado-mudo.
Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação de Leandro.
Pelo visto, ele não estava nem um pouco preocupado com a segurança de Larissa.
Frio com a própria esposa, mas sempre pronto para correr atrás da ex... Quem olhasse para aquilo não tinha como não sentir um aperto no peito.
Carolina se condoía de Larissa, mas também não sabia como ajudá-la.
Ao sair do quarto de hóspedes, seguiu pelo corredor de volta para o seu. Mais adiante, deu de cara com Henrique vindo em sua cadeira de rodas. Ela parou, surpresa.
— A essa hora e você ainda está acordado? O que está fazendo fora do quarto?
— Fiquei com medo de você ter bebido demais. Vim ver como você está.
— Nem bebi tanto assim. Você desse jeito e ainda fica se preocupando comigo. — Carolina sorriu de leve, foi para trás da cadeira e a empurrou de volta na direção do quarto. — Vamos. Volta pro quarto e tenta descansar.
Quando entraram, ela o conduziu até a beira da cama e estendeu a mão para ajudá-lo.
Henrique ergueu o braço e o apoiou no ombro dela. Depois se levantou devagar, com todo o cuidado, e foi se acomodando na cama aos poucos. No instante em que seu corpo tocou o colchão, a mão que ainda segurava o ombro dela apertou um pouco mais.
Carolina foi puxada junto e caiu sobre a cama, de bruços sobre o peito dele.
Assustada, ela se atrapalhou toda, com medo de encostar no machucado.
— Desculpa. Eu te machuquei? Não apertei o seu ferimento, apertei?
Fazia pouco mais de dez dias que ele estava em recuperação. Ainda estava longe de ter sarado de verdade. De propósito, Henrique a puxou para o lado do peito que não estava ferido.
Mesmo deitado, não a soltou.
Carolina apoiou as mãos na cama, tentando se erguer e sair dos braços dele.

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