Era assim que ela vivia: presa a esse tormento, oscilando sem parar entre dois extremos. Quando tomava o remédio, virava uma apática; quando deixava de tomar, parecia perder a razão.
E foi justamente nesse breve instante de hesitação que o sorriso no rosto de Henrique desapareceu.
Fingindo naturalidade, ele ergueu a mão e afagou de leve a testa dela.
— Volta pro seu quarto e vai dormir. Boa noite. — Murmurou em voz baixa.
Depois disso, ajeitou-se na cama, puxou o cobertor até a cintura e fechou os olhos.
Carolina ficou olhando para ele.
Mesmo de olhos fechados, dava para perceber que sua expressão estava bem mais carregada do que antes.
Ela não saiu.
Permaneceu ali, encarando por um bom tempo aquele rosto em falso repouso. Então se virou e apagou a luz do abajur.
O quarto mergulhou na escuridão, envolto numa penumbra densa e silenciosa.
Carolina tirou os chinelos, subiu na cama e se enfiou debaixo do cobertor dele. Deitou-se ao lado de Henrique, ombro com ombro, e também fechou os olhos.
— Rick... Boa noite.
Sua voz saiu num murmúrio.
No quarto silencioso, só se ouvia a respiração leve e regular dos dois.
Henrique continuou imóvel, como se tivesse adormecido no instante em que se deitou.
Mas não tinha dormido.
Depois que Carolina se acomodou, fez o que sempre fazia sem nem perceber: foi aproximando devagar os pezinhos do corpo dele e, assim que encostou na panturrilha de Henrique, foi se aninhando aos poucos.
Para Carolina, os pés dele eram deliciosamente quentinhos.
Para Henrique, os pezinhos dela eram gelados, frios a ponto de parecerem sem circulação, difíceis de aquecer.
No escuro, Henrique pegou o controle remoto ao lado da cama e aumentou em dois graus a temperatura do ar-condicionado.
Carolina ouviu os dois bipes do aparelho. Assim que o som cessou, a mão grande dele surgiu de repente. Henrique segurou o cobertor na altura da cintura dela, puxou-o para cima e a cobriu até o pescoço.
Sem dizer nada, fez tudo em silêncio. Depois soltou a mão e voltou a ficar deitado de barriga para cima, como se já tivesse pegado no sono.
Carolina permaneceu ao lado dele, envolvida por sua presença e pelo som da sua respiração, tomada por uma sensação profunda de conforto e segurança. O perfume suave de lavanda no quarto tinha um efeito calmante e, aos poucos, sua mente foi relaxando, afundando numa sonolência morna.
Quando já estava quase dormindo, a mão de Henrique encontrou devagar os dedos dela.
Os dedos longos e quentes deslizaram até se entrelaçarem aos seus, palma contra palma, apertando sua mão com firmeza, como se ele não quisesse soltá-la de jeito nenhum.

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