Depois que Amanda foi levada embora, Henrique estendeu a mão para Carolina.
Carolina apertou os lábios e forçou um sorriso tranquilo, tentando esconder a inquietação que lhe revolvia o peito. Então caminhou até ele e pousou a mão na palma estendida.
Henrique envolveu os dedos finos e claros dela entre os seus e os afagou de leve. Ergueu o rosto para fitá-la, e sua voz saiu suave:
— Você está com medo?
— Não.
Carolina balançou a cabeça, embora o sorriso em seu rosto estivesse um pouco rígido.
— Posso arranjar uma assistente para ficar com você. Ela pode te acompanhar na ida e na volta do trabalho e ainda ajudar com as coisas do escritório.
— Não precisa.
Carolina recusou na mesma hora, balançando a cabeça.
Ela não queria que ninguém soubesse da sua doença. Um problema como o dela desgastava demais quem ficava por perto.
— O Antônio só vai sair daqui a mais de três anos, não vai? A mãe dele não deve conseguir fazer grande coisa.
Henrique manteve o olhar fixo nela, pesado e profundo.
Depois de alguns segundos, não insistiu. Apenas voltou a acariciar de leve a mão dela e disse:
— Suas mãos são geladinhas... Seus pés também. Passei a noite inteira tentando esquentar os dois e não consegui. Dizem que mulher é feita de água, mas você parece ser feita de gelo.
Carolina acabou rindo do comentário. Tirou a mão da dele e respondeu:
— É você que tem o corpo quente demais. Por isso acha que eu sou fria.
Assim que terminou de falar, virou-se e caminhou até a mesa de jantar.
Henrique conduziu a cadeira de rodas atrás dela.
— Você é fria, eu sou quente. Combina direitinho. Um compensa o outro. Posso te emprestar meu corpo pra servir de aquecedor.
— Em pleno verão, eu não preciso de aquecedor.
Carolina puxou a cadeira e se sentou.
A cadeira de rodas de Henrique parou diante dela. Ele se recostou com tranquilidade, apoiou o cotovelo no braço da cadeira e a encarou com um meio sorriso nos lábios.
— Mas eu preciso de você.
— A gente nem combina na temperatura do ar-condicionado.
— Você realmente arruma desculpa pra tudo quando o assunto é não dividir o quarto comigo.
Carolina soltou uma risadinha.
A empregada veio trazendo o café da manhã, e ela se calou na mesma hora, um pouco constrangida. Seus olhos voltaram para os de Henrique, profundos e bonitos.
Ainda bem que, além da ternura de sempre, ela não encontrou no olhar dele nenhum sinal de desagrado.

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