Carolina e Henrique ainda tomavam café da manhã quando Larissa, recém-acordada, saiu às pressas do quarto, atravessou o corredor e entrou na sala, chamando a atenção dos dois.
Carolina se virou e a viu indo em direção à porta, com a bolsa numa mão e o celular na outra. O cabelo ainda estava um pouco despenteado, com aquele ar fofo de quem tinha acabado de acordar, mas a expressão no rosto era de pura pressa.
— Carol, Henrique, eu já vou. Obrigada por terem me deixado ficar aqui ontem à noite.
Larissa agradeceu sem parar de andar.
Carolina apoiou as mãos na mesa e se levantou depressa.
— Lari, por que você está saindo assim? Aconteceu alguma coisa?
Larissa parou e se virou para ela. Um sorriso amargo apareceu em seus lábios.
— Ontem à noite eu deixei meu filho com o Leandro. Achei que ele ia ficar em casa cuidando da criança. Mas não. Levou o menino pra casa da Vitória só pra consertar a instalação elétrica de lá. Eu passei a noite fora e, mesmo assim, ele nem foi atrás de mim. Deixou meu filho com a Vitória... E agora ela mandou eu ir buscar a criança.
A raiva subiu na mesma hora dentro de Carolina.
Ela nem ousava imaginar o quanto Larissa devia estar furiosa. O quanto devia estar sofrendo.
— Eu vou com você.
— Não precisa. Você ainda tem que cuidar do Henrique.
— É difícil conseguir carro por aqui.
Ao passar por Henrique, Carolina lançou-lhe um olhar, pedindo permissão.
— Tudo bem?
Henrique assentiu.
— Dirige com cuidado.
— Tá.
Carolina saiu correndo na mesma hora em direção ao quarto.
— Me espera, Lari. Só vou trocar de roupa e já volto.
Larissa abaixou a cabeça e enxugou as lágrimas às escondidas.
Pouco depois, Carolina se trocou e levou Larissa de carro até o lugar marcado por Vitória.
Na entrada do Parque das Palmeiras.
O sol estava escaldante. Debaixo da sombra de uma árvore grande, sentada num banco comprido, Vitória segurava o bebê de seis meses no colo. Ao lado dela estava uma menina autista de quatro anos.
O carro parou.
Carolina e Larissa desceram juntas e seguiram na direção de Vitória.
Vitória entretinha o pequeno, e, antes mesmo de se aproximarem, as duas conseguiram ouvir o que ela dizia:
— Cadê o meu bebê lindo? Fala "mamãe"... Mamãe... Fala "mana"... Mana...

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