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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 331

— Nós conversamos ontem. O Leandro não quer assinar, então eu vou entrar com a ação. Você pode me representar?

— Posso. Mas, sem prova de traição, com seu filho ainda tão pequeno e, além disso, com ele se recusando a se divorciar, é muito difícil o juiz conceder o divórcio já na primeira tentativa.

— Não me importa quantas vezes eu precise insistir. Eu vou me divorciar.

Larissa falou entre os dentes, com os olhos vermelhos de raiva.

Naquele momento, Carolina acabou assumindo mais um caso de divórcio sem cobrar nada.

Só mais um.

O processo envolvendo a poluição da fábrica química do Grupo Nogueira Lima andava cada vez mais devagar. Depois de repercutir por um tempo na internet, o vídeo sumiu de repente.

Da noite para o dia, desapareceu qualquer menção à fábrica química do Grupo Nogueira Lima na internet.

Era como se alguém, nos bastidores, estivesse apagando tudo.

Na segunda-feira, Carolina mal tinha chegado ao escritório quando Emerson entrou em sua sala com o semblante pesado.

— Dra. Carolina, pare de investigar o caso da poluição da fábrica do Grupo Nogueira Lima. Largue essa ação imediatamente. Quanto aos honorários dos moradores da vila, eu mesmo cuido da devolução.

Carolina ficou sem reação.

— Por quê?

Do lado de fora, André passou devagar pelo corredor, uma xícara de café na mão. Andava sem pressa, os olhos semicerrados, e lançou um olhar de lado para dentro da sala, atento a cada palavra.

— Tem gente poderosa demais envolvida nisso. Não dá para afundar o escritório inteiro por causa de uma ação desse tamanho.

— Que gente poderosa? — Carolina perdeu a paciência. Com as duas mãos apoiadas na mesa, levantou-se de repente, o rosto duro como lâmina. — Que proteção é essa, tão escancarada assim? Doutor Emerson, afinal, do que o senhor está com medo?

Emerson apoiou a mão na cintura, abaixou a cabeça e puxou o ar com força. Quando falou, a voz saiu trêmula, tomada pelo pânico.

— Desta vez, é diferente.

— Diferente como? Quem é?

Emerson soltou um suspiro longo. Ficou calado por alguns segundos, pensando. Então se virou de súbito, saiu da sala e fechou a porta. Quando voltou, se aproximou dela e falou tão baixo que parecia ter medo até do próprio eco.

— A família do seu namorado.

— A família Queiroz?

Carolina congelou.

Ela o encarou, atordoada, incapaz de acreditar.

— Eles estão interferindo assim, sem nem disfarçar?

Na frente dela, eles sempre se vendiam como pessoas corretas, cheias de princípios, defensores da justiça. Desprezavam o fato de ela ser filha de um criminoso e deixavam claro, a todo momento, que jamais fariam qualquer manobra para limpar o nome dele. Mas, pelas costas, protegiam uma empresa sem escrúpulos. Era nojento. Ridículo.

Carolina foi até ele e se sentou ao seu lado.

— Você está com uma cara...

Henrique nem terminou a frase.

De repente, Carolina arrancou o livro das mãos dele e o jogou sobre a mesa de centro.

Henrique se surpreendeu por um instante, mas continuou olhando para ela, em silêncio.

No segundo seguinte, Carolina passou os braços em volta do pescoço dele. Sem forças, afundou contra o lado de seu peito que não estava ferido. Agarrou-se a ele com força, como se fosse desabar de vez se o soltasse.

Sua voz saiu baixa, exausta.

— Rick... Me abraça.

Henrique enrijeceu na mesma hora. Ficou imóvel por alguns segundos, o coração disparado, sentindo alguma coisa dentro de si ceder devagar, como gelo sob o primeiro calor da primavera.

Então a envolveu com os braços fortes e a apertou contra o corpo, como se quisesse protegê-la do mundo inteiro. A mão grande subiu até a nuca dela, acariciando-a de leve, enquanto ele enterrava o rosto em seus cabelos perfumados e murmurava, com a voz rouca:

— Me conta... O que aconteceu?

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