— Você ainda tem audiência à tarde? — Perguntou Henrique, com um braço envolvendo a cintura dela, enquanto com a outra mão conduzia a cadeira de rodas em direção à sala de jantar.
Carolina continuava aconchegada nele.
— Tenho. É o caso de poluição ambiental da fábrica química do Grupo Nogueira Lima. O julgamento vai ser transmitido ao vivo, aberto ao público… Estou sentindo uma certa pressão.
— É aquele caso que explodiu na internet? Com denúncia nominal e tudo? Por isso resolveram transmitir ao vivo?
— Sim.
Henrique apertou de leve a bochecha dela, num gesto carinhoso.
— Minha Carol vai ficar famosa de vez depois dessa.
Carolina afastou a mão dele e esfregou a bochecha, fazendo uma careta leve.
— Não é garantido que eu vá ganhar. Se eu perder, é bem capaz de começarem a dizer que eu fui comprada pelo Grupo Nogueira Lima.
— Eu confio na justiça. E confio em você. Você vai ganhar.
Carolina se levantou do colo dele e foi se sentar à mesa.
— Se eu ganhar, vou pagar um jantar pro Enrico. Sem ele, eu não teria conseguido reunir de novo as provas de que a fábrica estava despejando água contaminada escondido.
— Onde vai passar? Quero assistir.
Na hora, Carolina pegou o celular e abriu a transmissão oficial.
— Aqui. Começa às três.
— Nunca te vi trabalhando. Hoje eu não perco.
Os olhos de Henrique brilhavam, e o sorriso dele era tranquilo, cheio de admiração.
Carolina sorriu de volta, sentindo o coração aquecer.
Nesse momento, a empregada trouxe o almoço e começou a organizar os pratos sobre a mesa.
Os dois comeram conversando sobre o caso.
Depois do almoço, Carolina saiu apressada, mergulhando de novo na rotina corrida.
Henrique, por sua vez, chamou profissionais de reforma e ficou em casa supervisionando tudo. Mandou reorganizar o quarto, pediu para trocarem os lençóis e as capas do edredom, e até as cortinas foram substituídas por outras, nas cores que Carolina gostava.
Assim que terminaram, uma vendedora de uma boutique de luxo chegou com uma seleção de peças caríssimas e reabasteceu o closet dela até não caber mais nada.
Depois disso, ele ainda recebeu algumas professoras de ioga para entrevistas. No fim, escolheu uma mulher de temperamento calmo e gentil.
Pontualmente às três, ligou a televisão, acessou a transmissão oficial do tribunal e passou a assistir ao julgamento, sentado na cadeira de rodas.
E foi ali, diante da tela, que ele viu um lado de Carolina que nunca tinha conhecido.
César sorriu com aquela simpatia ensaiada de sempre. Seus olhos logo se voltaram para a televisão.
— Assistindo sua mulher no tribunal?
— Sim. — Henrique mal desviou o olhar da tela. — Veio fazer o quê?
César parou ao lado dele, observando a transmissão. Um leve sorriso, quase insinuante, curvava seus lábios.
— Vim te dar um conselho. Sua mulher está aparecendo demais… E isso raramente acaba bem.
Henrique permaneceu em silêncio.
César continuou:
— Depois desse caso, a doutora Carolina vai ficar conhecida no país inteiro. Um processo que ninguém quis assumir… E ela foi lá e pegou. Teimosia de gente jovem. Jovem demais.
O semblante de Henrique escureceu.
Quando falou, a voz saiu fria, firme:
— Primo, esse tipo de jogo político não é comigo. Não entendo disso e nem quero entender. Eu trabalho com pesquisa aeroespacial. Só isso. Mas, se a minha mulher estiver esbarrando nos seus interesses… É melhor você se cuidar.
Ele finalmente desviou o olhar da televisão e encarou César.
— Não dê motivo pra ela te pegar. Porque, se pegar… Nem eu vou conseguir te ajudar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...