A palavra "verdade" era, para Henrique, irresistível.
Ele acabou deixando Marcelo entrar.
Marcelo caminhou pelo apartamento com curiosidade, observando cada canto da casa que eles dividiam. Tudo estava limpo, acolhedor, organizado, um espaço confortável e amplo. A inveja lhe encheu o peito.
Henrique ficou encostado na parede, com uma das mãos no bolso, lançando sobre ele um olhar frio e claramente pouco receptivo.
Depois de dar uma volta completa, Marcelo voltou e se sentou no sofá. Tirou um cigarro, colocou-o entre os lábios e pegou o isqueiro. Antes que pudesse acender, Henrique falou:
— A Carolina não gosta de cheiro de cigarro. Se for fumar, fuma lá fora.
Marcelo se surpreendeu por um instante. Em seguida, puxou um sorriso contrariado, tirou o cigarro da boca e o devolveu ao maço. Levantou-se devagar e caminhou até a varanda.
Henrique o acompanhou.
Do lado de fora, Marcelo fechou a porta de vidro. Os dois ficaram lado a lado, apoiados no parapeito, observando a área verde do condomínio.
Marcelo suspirou, com um ar quase sentimental.
— Aquela desgraçada da Carolina… Tinha um homem que amava ela desse jeito e mesmo assim não soube valorizar. Preferiu se deixar levar pela vaidade, querendo ficar comigo. — Ele riu de leve. — Eu cheguei a avisar. O dinheiro que meu pai ganha não é necessariamente meu. Mas ela não escutava. Vivia atrás de mim, grudada.
— Se continuar falando besteira, você sai daqui agora. — Henrique cortou, frio.
Marcelo suspirou de novo. Virou-se e se apoiou no parapeito, ficando de costas para a vista e de frente para Henrique. Inclinou a cabeça, os olhos fixos no perfil firme e bonito dele.
— Cinco anos atrás… A Carolina realmente tentou ir pra minha cama. — Ele falou devagar. — Mas a gente não transou.
Henrique apertou o parapeito com mais força, os dedos se contraindo quase imperceptivelmente.
O tom de Marcelo ficou sério, incomumente sério.
— A Carolina te traiu emocionalmente. Isso só prova uma coisa. Ela não te amava de verdade. — Ele fez uma pausa curta. — Mas eu nunca pensei em te trair. Nunca. Eu cresci com a Carolina, desde criança. Pra mim, ela sempre foi como uma irmã mais nova. — Marcelo o encarou de lado. — Me diz: você conseguiria fazer amor com a sua própria irmã?
O semblante de Henrique se apagou.
Ele permaneceu em silêncio, os nós dos dedos cada vez mais brancos de tanto apertar o metal da grade.
Marcelo continuou, a voz firme.
— Eu juro que cada frase é verdade. — Marcelo ergueu três dedos, sério, como num juramento formal. — Se eu estiver mentindo uma única palavra, que eu saia daqui e seja atropelado.
No fundo, ele não se importava nem um pouco.
Desde pequeno, tinha feito mais juramentos do que refeições, e quase nenhum era verdadeiro. E, ainda assim, estava ali, inteiro, vivendo muito bem.
Juramento era coisa de idiota. Ele não acreditava em Deus nem em karma. Só acreditava em si mesmo.
Henrique franziu a testa e virou o rosto para encará-lo.
Marcelo sustentou o olhar com uma expressão sincera, firme, quase comovente. O semblante era sério demais, controlado demais.
Não havia uma única falha visível.
Temendo que, ainda assim, Henrique não acreditasse, Marcelo completou rapidamente.
— Se você ainda duvidar… Quando a Carolina voltar, a gente confronta tudo na frente dela. Nós três.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...