Quando as lágrimas finalmente cessaram, Carolina ficou estendida no chão, sem forças. O frio atravessava a roupa e penetrava até a carne e, curiosamente, também dissipava a névoa sombria que pesava em seu coração.
O tempo passou, segundo após segundo.
Levou a manhã inteira até que ela conseguisse se recompor de verdade.
Carolina se levantou do chão, pegou o cobertor e o jogou sobre a cama, ajeitou o cabelo e saiu do quarto.
Ao passar pela sala, viu que Marcelo ainda não tinha ido embora. Estava largado no sofá, completamente absorto no jogo no celular.
Sem perceber, ela parou e olhou na direção do quarto de Henrique. A porta estava fechada, silenciosa.
Marcelo ergueu os olhos para ela por um instante e logo voltou a encarar a tela, os dedos se movendo rápidos. Falou num tom preguiçoso, como se fosse algo sem importância:
— Nem adianta olhar. Depois que o Henrique saiu do teu quarto, ele voltou pro dele, se vestiu e saiu direto. Perguntei pra onde ia, ele nem me respondeu. Pelo jeito, tava de péssimo humor.
Carolina caminhou até a poltrona individual e sentou-se, abatida.
— Vocês brigaram? — Marcelo olhou para ela outra vez. Ao notar os olhos vermelhos e inchados, se alarmou. Sentou-se de repente, largando o jogo. — Ei… Você chorou?
Carolina puxou uma almofada, apertou-a contra o peito e se inclinou para o lado. Fechou os olhos e murmurou, quase inaudível:
— Não.
— Pelo visto, a briga foi feia, então. — Marcelo esticou o pé e deu um leve toque na panturrilha dela. — Me passa o WhatsApp do Henrique. Vou falar com ele, dar uma animada.
Sem energia alguma, Carolina respondeu:
— O Henrique já foi embora. Por que você ainda tá aqui?
— Tô esperando ele voltar.
— Ele não vai voltar.
Marcelo ficou tenso.
— Foi ele que disse isso?
Carolina nem sabia quando Henrique voltaria. Só queria se livrar de Marcelo o quanto antes.
— Foi.
Marcelo se levantou, desligou o jogo e enfiou o celular no bolso.
— Vamos. Eu te levo pra almoçar.
— Não quero comer. — Carolina virou o corpo, encolheu as pernas e pressionou a almofada contra o lado do rosto.
— Já passou da uma. Esse estômago teu é de ferro agora? Não sente fome?
— Não.
Ela realmente não sentia fome. Com o humor no fundo do poço, o apetite tinha ido junto. Não queria se mexer, não tinha interesse em nada. Só queria ficar sozinha, em silêncio.
O estômago não aguentaria muito tempo daquele jeito.
Ela se levantou, esquentou dois pedaços de lasanha à bolonhesa e os engoliu com água fria.
Depois de forçar o corpo a receber o mínimo de energia de que precisava, voltou para o quarto. Tirou os documentos, provas e materiais relacionados ao caso do pai e começou, mais uma vez, a reorganizar tudo. Revisar, cruzar informações, procurar qualquer brecha possível.
Ao longo dos últimos anos, sempre que tinha um momento livre, era nisso que ela se enterrava.
No caso do pai.
De novo e de novo.
Virando cada detalhe na cabeça.
Ela queria salvar o pai.
E também queria salvar a si mesma.
Desde aquele dia, Henrique nunca mais voltou.
Na manhã seguinte, ao sair para o trabalho, Carolina não viu os sapatos dele na entrada. Sobre o aparador, também não estavam as chaves do carro.
À noite, quando voltou para casa, tudo permanecia exatamente do mesmo jeito.
Como se ele nunca mais fosse atravessar aquela porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...