“Enzo”
Estava muito estranho isso aqui hoje! A Eva e o José Miguel passaram o dia trancados, cada um na sua sala, e eu os vi sairem do elevador essa manhã, os dois muito sérios. Eles não me viram e pela nuvem negra sobre a cabeça do Jose Miguel, eu preferi deixá-los um pouco sozinhos.
Mas eles estavam tão lindinhos ontem no bar, tão apaixonadinhos! O que será que deu errado? Talvez eu precisasse ensinar o boca louca para o Perfeito, vai que o repertório dele estivesse meio básico demais.
Mas primeiro eu ia buscar um doce na cafeteria para adoçar a Evita. Quem sabe ela me contava qual tinha sido o problema enquanto se afogava em qualquer coisa com chocoate.
- E aí, Julio, como estão as coisas por aqui hoje? – Eu cumprimentei o Julio.
Eu gostava muito dele, o cara era o Sr. Gentileza, conversava com todo mundo, atendia aos favores mais bizarros e sempre sabia de tudo o que acontecia no prédio.
- Ah, hoje tem umas nuvenzinhas cinzas no nosso céu de brigadeiro. – Ele comentou e eu ri.
- Notei, notei! Julio, quero te perguntar uma coisa. – Ele me encarou e esperou. – Porque você não me contou que o perfeito andou acertando alguém do outro lado da rua para defender uma certa moça bonita?
- Ah, garoto, não me põe nessa fofoca! Quem te contou isso?
- Relaxa, foi o Matheus. – Eu ri.
- Aquele ali não guarda nada pra ele! Sabe que a amizade dele e do Perfeito é a amizade mais improvável que eu já vi?! Um mais do que brincalhão e extrovertido, o outro sério e reservado.
- Eles se completam. Se fossem um casal seriam perfeitos um para o outro. – Eu comentei aos risos.
- Só você, Enzo! Mas olha, o Perfeito me pediu discrição, eu respeito o cara. E as garotas da recepção me respeitam.
- Eu sei muito bem disso. Julio, você sabe se “Joeva” pediram algo pra comer hoje? Eu não os vi saindo pra almoçar.
- Parece que eles estão com muito trabalho. O Jo saiu agora e a Eva ainda não pediu nada.
- Hum, vou resolver isso. Ficar com fome não ajuda ninguém a pensar direito e só aumenta o mau humor.
- Ah, você não vai fazer nada!
O Julio apontou em direção a cafeteria e eu vi o José Miguel sentado lá e do outro lado da mesa eu vi um homem. Mas eu conhecia aquele homem! Mas o que eles estavam fazendo juntos? Ah… mas será? Eu ia tirar essa história a limpo.
- E aí, Julio? Acho que o Enzo vai te substituir aqui na portaria qualquer dia. – O rapaz que fazia as entregas da cafeteria se aproximou com uma sacola de papel nas mãos.
- Ele não vai se atrever! – O Julio riu. – Deixa eu adivinhar, isso é para a Srta. Eva Sanchez? – O Julio perguntou e o rapaz fez que sim.
- Já que eu não posso substituir o Julio, eu vou substituir você! Pode deixar comigo que eu levo pra Evita! – Eu peguei a sacola das mãos do rapaz. – Até mais, senhores!
Eu voltei para dentro do prédio e quando entrei no elevador peguei o celular e fiz a ligação, eu precisava saber.
- Fala, Enzo! Como estão as coisas aí entre Joeva?
- Um desastre total. Você sabe o que aconteceu, não sabe?
- Sei e não vou te contar dessa vez. Desculpa, garoto, mas você vai ter que perguntar para o Rossi.
- Hum! E eu também vou ter que perguntar pra ele o que ele está fazendo com o psiquiatra que eu te apresentei?
- Eles estão conversando? Ah, que maravilha!
- Cachorrão, você me disse que precisava de um bom psiquiatra, eu te apresentei o melhor! Mas você também disse que estava preocupado com um amigo que vivia atormentado por uma culpa que não tinha. O que você não me disse é que o seu amigo atormentado é o Rossi.
- Enzo, eu não posso te contar essa história, mas sim, o Rossi precisa de ajuda. Digamos que ele tenha sofrido um trauma muito grande e não entendia que precisava de ajuda. Então, se você puder fingir que não viu nada e se puder não contar pra ele que me apresentou o Nelson, eu fico te devendo.
- Me devendo mais uma, né?! Olha, eu não vou falar nada, se o Perfeito precisa de ajuda eu tenho certeza que o Nelson vai ajudá-lo. Mas como você apresentou os dois sem que o Perfeito saiba que você conhece o Nelson?


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