“Carmem”
Isso era inadmissível! Eu estava há três dias nesse maldito hospital e o José Miguel não tinha colocado os pés aqui! Me deixou com essa enfermeira maluca e sumiu. O pior é que ela me fazia dormir o tempo todo praticamente, eu já não aguentava mais!
- Carmem, minha amiga, como foi a sua estadia? – O Mauro, meu médico e amigo entrou.
- Por onde você andou, Mauro? Eu estou aqui há três dias e você nem passou nesse quarto! – Eu reclamei e ele me olhou assustado e depois olhou para a enfermeira sentada na cadeira.
- Quem é você? – Ele perguntou a ela.
- Eu sou a Berta, a acompanhante da Sra. Carmem. E o senhor, quem é?
- Mauro, eu sou o médico dela. Acompanhante? Carmem, onde está o José Miguel?
- Me largou aqui com essa criatura! Igual a você que manda aquele aprendiz de médico vir aqui todas as tardes. – Eu estava muito aborrecida!
- Carmem, ele não é aprendiz, é um médico formado, só é jovem! – O Mauro sorriu. – Eu estava fora em um congresso, mas te deixei em excelentes mãos. Agora vim para te dar alta. Pode ligar para o José Miguel vir te buscar.
- Finalmente! – Eu bocejei.
- Doutor, sinceramente, me desculpe, mas não acho que seja prudente dar alta para a senhora não. Olha como ela está abatida! E cansada! Ela tem dormido o tempo todo. – A Berta começou a falar.
- Eu estou dormindo o tempo todo porque você e sua amiguinha estão me dando remédios para dormiiiirr! – Eu gritei, irritada com aquela criatura.
- Aí, viu? Eu ia dizer, ela está meio delirante. – A Berta passou a mão pela minha cabeça num gesto carinhoso. Uma falsa fingida.
- Delirante? Você é louca? Que tipo de enfermeira é você? Eu não estou delirante! Aquela outra que trabalha aqui vem sempre e me aplica injeções para dormir! – Eu reclamei e bocejei.
- E ela está muito irritadiça, o senhor não acha? – A Berta perguntou docemente ao médico.
- A Carmem é uma pessoa um pouco nervosa mesmo. – Ele olhou a prancheta em suas mãos. – Carmem, querida, não tem nenhuma prescrição de remédios para dormir aqui e tudo o que foi dado a você fica registrado aqui ou nem sai da farmácia.
- Mas elas estão aplicando remédios em mim! Remédios para dormir! Mauro, por favor, você me conhece! – Eu reclamei, de repente ele parecia o médico mais competente da terra.
- Qual o nome da outra enfermeira? – O Mauro perguntou.
- A única que entra aqui, doutor, é a enfermeira Janice. – A Berta respondeu prestativa demais, com aquelas bochechas rosadas que lhe conferiam até um ar de inocência.
- Sim, eu a deixei encarregada da Carmem. – O Mauro concordou.
- Mentira, tem a outra, a tal Tatiane! – Eu gritei. – Sua mentirosa! Porque você está fazendo isso comigo? Foi o José Miguel quem mandou você fazer isso? Foi ele quem mandou você me encher de remédios para dormir?
- Carmem, eu não gosto do José Miguel, mas aquele idiota não faria isso! – O Mauro me olhou como se eu estivesse ficando louca. – Olha, eu vou investigar. Você disse que a enfermeira se chama Tatiane? Mas, Carmem, não tem nenhuma enfermeira com esse nome no hospital! – Maurou falou e eu olhei para ele atordoada.
- Entao ela falou o nome errado! É uma mocinha bem jovem, baixinha, com os cabelos loiros e uns olhos azuis bem grandes.
- Carmem, não tem nenhuma enfermeira com essas características aqui. – O Maurto me observou preocupado.
- Doutor, será que os remédios que ela tomou afetaram a mente? Sei lá, ela tomou muitos, pode ser que ainda estejam no sistema dela. – A Berta sugeriu.
- Ela não tomou tantos assim… - O Mauro verificou o meu pulso.
- Eu sei o que eu vi, Mauro! – Eu me mantive firme e a enfermeira Janice entrou no quarto, ela sabia. – Olha, pergunta pra ela!
- Janice, tem alguma enfermeira Tatiane na equipe? Jovem, baixa, loira, olhos azuis? – Ele perguntou para a enfermeira que acabava de entrar.
- Não senhor, nenhuma comece nome ou essas características. Por quê? – Ela respondeu séria e o encarou.
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