— Ayla tá bom... — murmurei, quase como um sussurro, enquanto tentava cobrir meu corpo exposto com as mãos, sem saber onde me esconder. Sentia-me vulnerável, como se fosse uma adolescente acuada.
O nome Nyx, que Teri escolheu para mim logo que comecei a trabalhar, agora parecia um lembrete amargo de como eu havia tentado ser alguém diferente. Nyx, a deusa da noite, envolta em escuridão, como a própria noite que me consumia. Eu era uma sombra da mulher que um dia fui, escondida atrás de um nome que sugeria poder, mas que, na verdade, refletia minha própria fragilidade.
Miguel deu um passo à frente, e automaticamente meu corpo recuou, minhas costas pressionando-se contra a parede fria do camarim. Seus olhos percorriam meu corpo sem qualquer resquício de respeito, e o sorriso arrogante que ele exibia me fazia querer desaparecer.
— Nunca imaginei que você chegaria a esse ponto — disse ele, a voz impregnada de desprezo. — Passar por essa humilhação... Eu sempre achei que você tivesse mais orgulho.
Minhas mãos tremiam, mas eu apertei os punhos, tentando controlar a onda de vergonha e raiva que subia pelo meu peito. Olhei diretamente para ele, forçando as palavras a saírem.
— É um trabalho digno. — Minha voz estava baixa, mas firme. — Pelo menos eu não estou roubando. Estou dançando.
Miguel deu uma risada curta, amarga.
— Isso você faz muito bem, Ayla. — Seus olhos se estreitaram, e eu senti o calor de sua presença enquanto ele se aproximava ainda mais. — Você sempre foi sexy dançando... Sabe disso. Eu sentia falta de como você era quente. Pelo menos agora eu sei onde te encontrar quando precisar.
Suas palavras eram um golpe. Eu recuei o máximo que pude, mas a parede estava ali, fria e implacável, não me deixando mais espaço para fugir. Ele continuou se aproximando, e logo estava tão perto que eu podia sentir seu hálito quente contra minha pele. Minha respiração ficou pesada, o pânico subindo como uma maré crescente.
— Miguel, por favor... Não faça isso. — Minha voz soava mais fraca do que eu gostaria. — Você vai se casar. Me deixa em paz.
Ele sorriu, como se o que eu tivesse dito fosse irrelevante.
— Casamento nunca impediu ninguém de se divertir um pouco, não é?
Antes que eu pudesse reagir, ele puxou meu corpo contra o dele, suas mãos segurando meus braços com força enquanto sua boca encontrava meu pescoço. O toque dele me fez congelar. Por um instante, fui transportada para o passado, para o tempo em que tudo parecia mais fácil. Para o tempo em que eu o amava, em que éramos felizes. Mas aquele Miguel que eu amei não existia mais, e o homem à minha frente era o mesmo que me abandonou no hospital, no momento mais difícil da minha vida.
Eu o empurrei, com o coração acelerado.
— O que você fez comigo ainda dói — disse, minha voz tomada pela emoção. — Não é assim tão fácil. Você não pode me reconquistar com um beijo.
Ele riu, um som cruel que ecoou pelo camarim.
— Reconquistar? — Ele balançou a cabeça, seus olhos brilhando de desprezo. — Quem falou em reconquistar, Ayla? Eu só quero transar com você de novo. E pelo visto, isso é sim fácil de conseguir.
Senti um nó no estômago. Ele olhou para mim como se eu fosse uma mercadoria, algo que ele já havia provado e aprovado.
— Quanto? — perguntou, a voz baixa e cínica.
— O quê? — balbuciei, incapaz de compreender de imediato o que ele queria dizer.
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