O cheiro de carvão aceso e carne grelhando emanava da laje, misturando-se ao burburinho animado dos vizinhos que já começavam a se reunir para o churrasco. Eu estava na entrada do prédio, ajustando a alça do vestido de alcinhas, tentando disfarçar a inquietação que me consumia.
O motivo? Nicolas Sartori estava vindo.
Olhei para a rua mais uma vez. O trânsito ali não era intenso, mas eu conseguia identificar de longe um carro que não pertencia à rotina do bairro. Quando um sedan de luxo preto virou a esquina e parou suavemente em frente ao prédio, meu coração bateu um pouco mais rápido.
Nicolas saiu primeiro, os cabelos levemente desalinhados pelo vento, vestindo uma camisa branca de botões com as mangas dobradas, o tecido justo o suficiente para destacar o físico sem esforço. Ele parecia deslocado naquele cenário, mas, ao mesmo tempo, estranhamente confortável.
A porta do passageiro abriu logo em seguida, e para minha surpresa, Ricardo saiu do carro também.
— Ricardo? — Perguntei, franzindo a testa.
Ele abriu um sorriso relaxado e me cumprimentou rapidamente com um aceno.
— Eu forcei um convite. — Disse, ajustando os óculos escuros. — Mas não se preocupe, não vou incomodar vocês. Tenho meus próprios planos.
E, sem mais explicações, desapareceu escada acima.
Fiquei observando, confusa, até que me virei para Nicolas, esperando alguma explicação. Ele suspirou, cruzando os braços.
— Aparentemente, meu primo anda muito interessado na sua amiga.
Uma gargalhada escapou antes que eu pudesse evitar.
— Meu Deus, Teri vai surtar.
Nicolas ergueu uma sobrancelha.
— Ela não gosta dele?
— Ela me disse que o bloqueou porque ele estava insistente demais para sair com ela.
— Isso é ruim?
Suspirei, começando a subir as escadas enquanto ele me acompanhava.
— Segundo Teri, Ricardo está confundindo as coisas. Ele acha que o relacionamento deles ultrapassa os negócios e, nas palavras dela, não ultrapassa.
— E você acredita nisso?
Olhei para ele por cima do ombro.
— Não. Ela fala como se ele fosse um incômodo, mas quando menciona o nome dele, o tom muda. Tem algo ali.
Enquanto subíamos, percebi que Nicolas carregava uma câmera pendurada no ombro. Sorri, satisfeita.
— Você trouxe mesmo…Obrigada.
Ele ergueu a câmera, ligando-a com um toque ágil nos botões.
— Preciso configurar antes de começarmos.
Sem aviso, ele mirou a lente em mim e apertou o obturador. O clique foi como um pequeno choque elétrico percorrendo meu corpo.
— Nicolas! — Levei a mão ao rosto, sem saber se ria ou protestava.
Ele abaixou a câmera apenas o suficiente para me lançar um olhar divertido.
— Você é uma ótima modelo.
— Por favor, eu tô horrível!
Ele inclinou a cabeça levemente, como se estivesse estudando meu rosto através da lente.
— Você tem um problema em enxergar o que realmente vê no espelho.
Meus lábios entreabriram-se levemente.
— Isso foi uma cantada?
— Você quer que seja?
Corei antes de conseguir responder. Ele riu e voltou a ajustar a câmera, e eu fiz a única coisa que podia: virei as costas e continuei subindo antes que ele visse meu sorriso.

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