Levantei os olhos e encontrei Nicolas parado diante de mim, as mãos nos bolsos, o olhar fixo em mim com uma intensidade que me fez prender a respiração por um instante. Ele parecia hesitante, como se ponderasse se deveria ou não se aproximar, mas, no momento seguinte, simplesmente se sentou ao meu lado no banco estreito da recepção, sem pedir permissão, como se aquele fosse o lugar dele.
— Se eu não tivesse comprado esse prédio, outra pessoa teria feito isso. — Sua voz soou baixa, quase cuidadosa, como se quisesse me convencer sem me pressionar. — Essa região está crescendo rápido. Era só uma questão de tempo.
Mantive o olhar fixo no chão, sentindo o peso daquelas palavras afundar ainda mais em meu peito.
— Não tinha como um prédio assim continuar de pé por muito mais tempo. — Ele acrescentou, como se quisesse me fazer entender que aquilo era inevitável.
Eu sabia que ele estava certo. Sabia que, cedo ou tarde, alguém apareceria com um projeto ambicioso e dinheiro suficiente para varrer nossa história dali. Mas isso não tornava a perda menos dolorosa.
Nicolas suspirou pesadamente e passou a mão pelos cabelos, num gesto que entregava sua frustração.
— Eu só não queria que os negócios se intrometessem entre nós.
Uma risada curta e incrédula escapou dos meus lábios antes que eu pudesse evitar. Cruzei os braços, virando o rosto para ele.
— Tudo entre nós sempre foi sobre negócios, Nicolas. — Minha voz saiu mais amarga do que eu pretendia.
Ele piscou lentamente, como se minhas palavras o atingissem mais do que ele gostaria de admitir. Então, ele fechou os olhos por um instante e assentiu, como se reconhecesse aquilo.
— Eu sei. — Ele murmurou. — E também sei que quando decidi te procurar, depois daquela noite em que nos conhecemos, eu não fiz isso da melhor maneira.
Pisquei, confusa. Nicolas Sartori estava se desculpando comigo? Ao menos era o que parecia.
Ele virou o rosto para mim, os olhos sombrios, carregados de algo que eu não conseguia decifrar.
— Quando eu soube que você estava sendo… leiloada, como se isso fosse uma coisa pela qual uma mulher pudesse passar… — Ele trincou a mandíbula. — Eu fiquei louco.
Minha respiração travou.
— Louco?
Nicolas soltou uma risada baixa e amarga.
— Louco de ciúmes. De imaginar você com outro homem.
Engoli em seco, sem saber o que dizer.
— Mas você mal me conhecia.
Ele assentiu lentamente.
— Eu sei. Mas, por algum motivo, parecia que sim. Como se houvesse algo entre nós antes mesmo de trocarmos a primeira palavra.
Seu olhar encontrou o meu, e o peso daquela frase pairou entre nós. Eu sabia o que era. Eu sabia exatamente o que ele estava tentando descrever. Aquela conexão inexplicável, aquela sensação de que estávamos ligados de uma forma que transcendia lógica ou tempo.
— E eu não vou negar. Sempre houve a atração. Uma atração insana. — Nicolas soltou um suspiro, o olhar fixo em mim. — Mas, apesar disso, eu sempre resisti a Nyx, porque nunca me senti confortável com a ideia de que eu só poderia tê-la por causa do que fiz.
— Nyx não foi fácil, né? — Brinquei, tentando aliviar o peso da conversa. Eu lembrava de todas as formas com as quais eu, enquanto Nyx, tentei seduzi-lo para que ele finalmente dormisse comigo.
— Nada fácil. — Ele riu, mas logo sua expressão ficou séria novamente. Seu olhar se prendeu ao meu, carregado de algo que eu não sabia nomear. — Então, Ayla, por favor… Não diga que sempre foi tudo apenas negócios. Porque não foi.
As palavras dele pairaram no ar entre nós, carregadas de uma verdade que eu não sabia se queria aceitar.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, encarando um ponto qualquer no chão.
— Eu sei. — Murmurei, a voz mais baixa. — Eu só estou abalada… porque me preocupo com o que vai acontecer depois que o prédio for demolido.
Minha própria confissão veio acompanhada de um aperto no peito. Abracei meu próprio corpo, como se tentasse conter o medo do que viria a seguir.
Nicolas se inclinou levemente para mim.
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