~AYLA~
O casarão era simplesmente deslumbrante.
As colunas imponentes e as enormes janelas de vidro refletiam as luzes da noite, dando ao lugar um ar clássico e sofisticado. Dentro, a arquitetura antiga misturava-se a uma iluminação estratégica, destacando cada obra exposta sem perder o charme rústico do ambiente. As paredes altas estavam repletas das fotografias de Nicolas, algumas monocromáticas, outras em tons vibrantes, mas todas carregadas de uma sensibilidade artística inegável.
Havia um burburinho de vozes por toda parte. Pessoas elegantes caminhavam com taças de champanhe nas mãos, observando cada imagem com atenção e comentando sobre a genialidade do artista. Repórteres circulavam, prontos para captar cada detalhe da noite, e fotógrafos registravam o evento com flashes incessantes.
Mas nada disso me chamou tanto a atenção quanto a grande fotografia logo na entrada.
Minha respiração ficou presa na garganta ao vê-la.
Era uma imagem minha.
Ou, pelo menos, de uma versão minha envolta por sombras e luz, uma silhueta capturada em um movimento delicado e preciso no meio da floresta. O brilho suave da lua e a neblina ao fundo criavam um cenário quase etéreo, transformando o simples ato de dançar em algo transcendental. Meu rosto não aparecia claramente, mas eu sabia que era eu. Meu corpo, meu movimento. O vestido leve que eu usava no acampamento.
O murmúrio das pessoas ao redor confirmava o impacto daquela foto.
— Quem será essa mulher?
— É simplesmente hipnotizante.
— Parece uma bailarina dos contos de fadas.
Meu estômago revirou. Eu não sabia se ficava lisonjeada ou completamente exposta. De todas as fotografias que Nicolas havia tirado de mim, ele tinha escolhido justamente essa para ser a primeira coisa que qualquer um veria ao entrar.
Respirei fundo, buscando estabilidade, e segui para dentro.
Mesmo cercada por tantas pessoas, me senti sozinha. Nicolas era a estrela da noite, e eu sabia que não poderia ficar ao lado dele como gostaria. Ele ainda era, publicamente, um homem casado. Mesmo que seu casamento fosse apenas uma formalidade, aquilo ainda me impedia de simplesmente tomar seu braço e permanecer ao seu lado.
Então, aceitei o fato de que aquela noite não era sobre nós.
Fiquei grande parte do tempo acompanhada de Teri e Ricardo. Os dois estavam claramente envolvidos em uma dinâmica perigosa, entre provocações e sorrisos carregados de promessas silenciosas.
— Você está se divertindo? — perguntei para Teri, enquanto ela pegava mais uma taça de champanhe de um garçom que passava.
Ela sorriu de lado, erguendo a taça como se brindasse sozinha.
— Estou considerando opções de diversão para depois.
Eu soltei uma risada, balançando a cabeça.
— Não sei por que vocês ainda fazem esse joguinho.
— Porque é divertido — Ricardo apareceu ao lado dela, deslizando uma mão pelas costas de Teri de forma casual. Ela não recuou. — Além disso, se tudo fosse tão fácil, perderia a graça.
Eu apenas revirei os olhos quando os dois começaram a se afastar lentamente.
— Eu volto já — Teri disse, sem muita convicção.
— Claro que volta — murmurei para mim mesma, vendo os dois desaparecerem escada acima.
Fiquei observando as fotografias ao redor, até que meus olhos foram atraídos para um grupo de pessoas reunidas próximo a Nicolas. Ele estava sendo entrevistado, cercado por câmeras e microfones, respondendo calmamente às perguntas enquanto mantinha sua postura impecável.
Decidi me aproximar.


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