Riuk
Acordo antes do sol nascer. O corpo ainda dói, mas é uma dor diferente: profunda, viva, como se cada célula tivesse sido reconstruída. O lobo curou quase tudo durante a noite. As costelas estão inteiras. O corte no braço fechou. Mas as cicatrizes novas brilham azul-escuras, pulsando de leve quando me mexo.
Rubi dorme colada em mim, perna entrelaçada na minha, mão no meu peito, exatamente onde a cicatriz pulsa. O cheiro dela tá em tudo. Eu poderia ficar aqui pra sempre.
Mas não posso.
Levanto devagar pra não acordar ela. Vou pro banheiro, fecho a porta com cuidado, abro o chuveiro quente.
A água cai pesada, lava o sangue seco, leva embora a dor da pele. Fico ali, mãos na parede, cabeça baixa, deixando o vapor encher o pulmão.
Penso no que vem hoje. Mais dor. Mais sangue. Mais quebra.
Mas eu faço. Faço mil vezes. Porque cada gota de sangue que eu derramo é uma gota que o Atlas nunca vai tirar dela.
A porta do box abre atrás de mim.
Eu viro.
E lá tá ela.
Perfeita. Nua. Cabelo bagunçado, olhos azuis ainda inchados de choro, marca no pescoço brilhando com a luz do vapor.
"Não era para a senhora estar acordada." ela sorri de lado, mesmo que não haja brilho algum ali.
Ela entra no chuveiro, se aninha no meu peito, braços na minha cintura.
“Impossível não sentir sua falta quando acordo,” sussurra, voz rouca de sono.
Eu sorrio, abraço ela forte, beijo o topo da cabeça.
Ela levanta o rosto, olha meu braço.
“Você tirou as bandagens…”
Passa os dedos nas cicatrizes novas, que ainda brilham azul.
“Se curou mais rápido que o normal…”
“A magia tá ajudando o lobo,” digo, voz baixa.
Ela beija cada cicatriz, devagar, lábios quentes na pele fria.
Eu fico tenso. Desejo sobe como fogo.
“Rubi…”
Ela levanta os olhos.
"Não quero te ver machucado hoje. Eu não sei se consigo aceitar isso..."
"Não tenho muita escolha com relação a isso."
"Mas é tão difícil. Você não precisa... se você... sei lá, pedir para esse bruxo lidar, não seria melhor?" ela fala e afago seus cabelos.
“Impossível, isso é entre mim e o Atlas." seus olhos se tornam ainda mais tristes. "Me faz uma favor?” digo, sério.
"Qual?" ela fala sem a devida atenção.
"Não venha hoje a noite."
Ela arregala os olhos.
“Por quê?”
“Porque a tendência é piorar antes de melhorar. E não quero que sofra me vendo assim.”
Ela engole em seco.
“Você tá dizendo que vai ser pior do que ele fez ontem com você?”
“Vai. Até eu aprender.”
"Ele vai te matar assim!"
"No vazio não se morre. Apenas aprende a tolerar a dor."
Lágrimas escorrem pelo rosto dela, misturando com a água.



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