Rubi
Riuk me pegou pela cintura, como se eu fosse feita de vidro. O medo estava estampado ali, assim como o meu. O bebê estava previsto para nascer dali duas semanas. Não hoje, não agora.
“Amor, olha pra mim. Tá tudo bem. Tá tudo sob controle.”
“Riuk”, avisei, quando a primeira contração forte me dobrou por dentro. “Se você disser ‘tá tudo sob controle’ mais uma vez, eu vou arrancar sua garganta.”
Ele engoliu seco na mesma hora.
“Então… respira”, tentou, a voz claramente à beira do colapso, enquanto me acompanhava e me acomodava no carro com um cuidado quase exagerado.
Eron foi chamado às pressas para nos levar ao hospital, porque estava mais do que claro que Riuk não tinha a menor condição emocional de dirigir.
Meu cunhado, no entanto, assumiu o volante como se estivéssemos em uma fuga cinematográfica, com trilha sonora dramática e tudo.
“VOCÊ NÃO PRECISA PASSAR EM TODOS OS SINAIS VERMELHOS!” Libby gritou.
“PRECISO SIM!” ele respondeu. “MEU SOBRINHO TÁ NASCENDO!”
“É SOBRINHA”, gritei do banco de trás.
“COMO VOCÊ SABE?!”
“EU SEI!”
Riuk segurava minha mão com força demais.
“Amor, respira comigo.”
“PARA DE FALAR ISSO!”
Outra contração veio, mais forte.
“EU VOU MORRER”, anunciei, desesperada.
“VOCÊ NÃO VAI”, Riuk respondeu, a voz alarmada. “EU NÃO AUTORIZO NENHUM DOS DOIS A ME DEIXAREM.”
Meus olhos se enchiam de água a cada contração, não sabia se pela dor ou pela indignação.
“Minha Deusa…”, resmunguei, ofegante. “Como pode ser tão bom pra entrar… e tão doloroso pra sair?”
Libby levou a mão à boca por meio segundo. Eron não aguentou nem isso.
Os dois começaram a gargalhar.
Eu e meu companheiro, em completo estado de pânico, não achamos graça nenhuma.
Chegamos à maternidade em um misto de freada brusca, pneus cantando e caos absoluto.
Antes mesmo de o carro parar completamente, Libby já estava abrindo a porta.
“Precisamos de uma maca!”, gritou, praticamente invadindo o hospital. “O neto do Supremo está nascendo!”
Um rosnado saiu do fundo do meu peito.
“Ele não é só o neto do Supremo!”, reclamei alto demais, sentindo outra contração me dobrar ao meio.
Libby congelou por um segundo, virou o rosto e gritou de volta, enquanto corria:
“Desculpa! Mas o nome Supremo abre portas, querida! Temos que usar quando necessário!”
Riuk apertou minha mão, tenso, olhos arregalados.
“Você tá bem?”, perguntou, claramente à beira de um colapso nervoso.
“Não”, respondi seca. “Sua cria ta me rasgando por dentro.”
Se alguém algum dia disser que parto é um momento sereno, espiritual e silencioso…
Essa pessoa nunca pariu cercada de lobos.
Fui colocada na maca e praticamente correram comigo pelos corredores. Luzes passando rápido demais acima da minha cabeça, vozes misturadas, passos apressados. Mas eu não via nada disso. Só sentia a dor. Só o desespero.
Os olhos de Riuk oscilavam entre roxo e dourado, instáveis, perigosos. Ele estava no limite absoluto, o lobo batendo por dentro como se quisesse rasgar a pele. E, por mais que eu quisesse acalmá-lo… eu mal conseguia respirar.
“RIUK, ISSO DÓI PRA CARALHO!”
“EU AVISEI QUE NÃO ERA PRA VOCÊ ANDAR TANTO HOJE!”, ele praticamente rosnou, andando de um lado para o outro do quarto como um animal enjaulado. “EU FALEI, RUBI, EU FALEI...”
“RIUK!” gritei de volta, interrompendo-o com outra contração me rasgando por dentro. “SE VOCÊ NÃO PARAR DE FALAR DESSE JEITO, EU JURO QUE TE ARRANCO UM PEDAÇO!”
Ele congelou.
"Calma amor. Eu só to nervoso. Odeio te ver assim."
A médica pigarreou, tentando manter a compostura diante de um alfa surtando.
“Senhor, você precisa se acalmar. O estresse não ajuda em nada.”
“EU NÃO ESTOU ESTRESSADO!” ele respondeu na hora. “EU SÓ ESTOU...”
“APAVORADO”, completei por ele, ofegante, apertando o lençol quando outra contração veio.
Riuk correu até mim na mesma hora, segurando minha mão com força demais.
“Desculpa”, disse rápido. “Desculpa, amor. Eu tô aqui. Eu tô com você. Olha pra mim.”

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