Laura
Duas semanas.
Foi tudo o tempo que o mundo precisou para virar do avesso outra vez.
Eu ainda não tinha entendido direito quando comecei a desconfiar que Enoch estava escondendo algo. Ele andava… atento demais. Carinhoso demais. Misterioso demais. O tipo de comportamento que fazia meu coração bater acelerado e minha ansiedade trabalhar em tempo integral.
Naquela manhã, ele me acordou cedo demais para um dia comum.
"Bom dia, meu amor." cobri o rosto, bloqueando o sol que entrava pela janela.
"Bom dia... que horas são?" falei sentindo que não tinha dormido o suficiente.
"Hora de levantar. Eu tenho algo planejado para hoje." tirei o travesseiro do rosto e o encarei.
"O que você aprontou?" ele sorriu de lado.
“Confia em mim?”, perguntou, enquanto me puxava para me sentar na cama.
Sorri, ainda sonolenta.
“Olha, eu ainda estou pensando sobre isso...” nós dois gargalhamos e ele beijou meus lábios.
"Mas hoje você vai ter que confiar."
Ele beijou minha testa com cuidado, aquele cuidado constante que tinha comigo desde que a gravidez avançara.
“Então vem. Vamos se trocar.” fui até o closet dele, onde ele tinha guardado as poucas roupas que trouxe e escolhi uma qualquer indo para o banheiro. Me arrumei, sentindo que ainda precisava de um bom café para poder despertar de vez.
Saí do banheiro e o busquei no quarto, mas não achei. Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, senti o tecido macio sendo colocado sobre meus olhos.
“Enoch…”
“Sem espiar, humana curiosa.”
Ri, nervosa.
"Você não pode simplesmente cobrir meus olhos e achar que vou ficar quietinha."
Ele me guiou com calma, a mão firme na minha cintura, o corpo grande servindo de escudo natural. Eu confiava nele. Mas o coração estava disparado, como se soubesse que algo importante estava prestes a acontecer.
Quando ele parou, senti o ar mudar. Cheiro de flores. De madeira. De algo… solene.
“Pode tirar agora.”
Puxei a venda devagar.
E perdi o fôlego.
Rubi estava à minha frente, sorrindo como se carregasse um segredo antigo. Atrás dela, pendurado com cuidado, estava um vestido.
Um vestido lindo de noiva.
Era simples e perfeito. Leve. Fluido. Branco sem ser exagerado. Delicado sem ser frágil. Não gritava luxo, mas transbordava significado.
Minhas mãos tremeram.
“O que é isso…?”
Rubi se aproximou e segurou meu rosto com carinho.
“Seu vestido, Laura.”
Engoli em seco.
“Vestido pra…?”
“Pra você casar com o meu cunhado”, ela disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. " Hoje, agora. Ser parte da nossa família para sempre."
O ar sumiu dos meus pulmões.
Meu corpo inteiro reagiu antes da mente.
“Casar…?”
As lágrimas vieram antes que eu pudesse controlar.
“Ele queria te surpreender”, Rubi continuou, os olhos brilhando. “E queria que fosse assim. Cercada pela família. Pela alcateia. Pelo lugar que agora também é seu. Nesse jardim foi onde a tia Cam se casou, onde eu e o Riuk, a Libby e o Eron, passamos boa parte da nossa infância e adolescência e onde encontramos o nosso lar. E agora ele também é seu.”
Olhei ao redor e me virei bruscamente procurando por Enoch, mas ele já tinha desaparecido.
"Ele não quer espiar muito. Quer que seja surpresa para ele também."
"Eu não acredito que ele fez isso..."
As mulheres da família estavam ali. Cam, Libby, Ravenna, Mallory, Astoria e a matriarca de todas a Luna Celine. Todas me observando com sorrisos suaves, acolhedores. Nenhuma cobrança. Nenhuma exigência. Só… aceitação.
“Eu… eu não sei o que dizer.”
Rubi riu baixinho.
“Diz sim.”
Ela me abraçou forte.
“Você pertence a nossa família.”
E foi ali que algo dentro de mim se acomodou de vez.
Os bastidores foram uma mistura de emoção e caos controlado. Mãos me ajudando a vestir o tecido. Ajustes delicados. Respirações profundas. Meu coração batendo tão alto que eu tinha certeza de que todos ouviam.
Quando me olhei no espelho, quase não reconheci a mulher refletida ali.
Eu parecia… segura.
Não sem medo. Mas com coragem.
“Você está linda”, Cam disse atrás de mim, emocionada. “Ele vai perder o chão. Vai chorar que nem um bebê e os irmãos vão cair na alma dele.”
Sorri, enxugando uma lágrima teimosa.
“Eu nunca pensei que isso fosse possível.”
“Quase ninguém pensa”, Libby respondeu. “Até acontecer.”
A música começou do lado de fora e meu estomago se revirou.
Rubi segurou minha mão.
“Está pronta?”
Deslizei meus dedos pelo dele, sentindo o calor, a força contida, a promessa silenciosa.
“Eu não nasci loba”, continuei, com um sorriso pequeno. “Mas você nunca me fez sentir menos por isso. Nunca tentou me mudar, nunca tentou me apressar. Você me esperou. Me respeitou. Me escolheu.”
Peguei a aliança, sentindo o peso simbólico daquele gesto. Antes de colocá-la, levei a mão dele até meus lábios e beijei o anel ainda entre meus dedos, como se estivesse consagrando aquela promessa.
“Eu te escolho também”, sussurrei. “Não por destino, não por instinto, não por laço imposto. Eu te escolho porque te amo. Porque confio em você. Porque quero caminhar ao seu lado, aprender o seu mundo, construir o nosso.”
Deslizei a aliança em seu dedo, lenta, sentindo o encaixe perfeito, como se sempre tivesse pertencido ali.
“Eu prometo te amar quando for fácil… e principalmente quando não for.” Minha voz falhou por um segundo, mas segui. “Prometo cuidar de você, do nosso bebê, da nossa família. Prometo ficar.”
Então beijei o anel em seu dedo, com um sorriso molhado de lágrimas, antes de erguer o rosto.
"Você vai me matar, garota." ele falou limpando os olhos e eu sorri, vendo o quanto eu amava aquele lobinho. O Ancião terminou de nos dar a benção e então liberou para que Enoch me beijasse. E assim ele fez, me inclinando.
Eu era a pessoa mais feliz do mundo. A mais realizada e naquele momento a mais amada.
Saímos em meio a todos os olhares atentos e os sorrisos e caminhamos direto para o local da celebração.
Ela começou leve, alegre. Risadas. Música. Abraços. Eu me sentia… completa.
Até que ouvi Rubi gemer baixo.
“Opa…”
O sorriso dela se transformou em surpresa.
“Gente… acho que…”
Um silêncio tenso caiu por um segundo.
Então água. Muita água.
“Minha bolsa estourou!”
O caos foi imediato.
Riuk apareceu em dois segundos.
“O quê?! Agora?!”
“Sim, agora!”
Eron já gritava ordens. Cam pegava chaves. Ravenna respirava fundo tentando manter a calma.
Enoch me puxou para perto, rindo nervoso.
“Bem-vinda à família”, ele murmurou.
Eu ri, mesmo com o coração acelerado.
E enquanto todos corriam para levar Rubi ao hospital, eu entendi:
A nossa história não começava ali.
Ela continuava.
Mais forte. Mais viva. Mais nossa do que nunca.

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