Cap.23: O quarto interditado em meu anexo.
Hanna hesitou com a pergunta de Lory. Apesar da apreensão, queria que a amiga entendesse que jamais poderia revelar o segredo sobre seu irmão.
— Morgan quer que eu desista do casamento, e eu não sou burra. Apesar de não conhecer as cláusulas, acredito que exista alguma punição para quem desiste. Caso contrário, ele já teria desistido disso. Ele pode querer me fazer desistir e, se souber que tenho alguém tão vulnerável, pode usar meu irmão contra mim. Se ele fizer isso... eu não vou aguentar. Por isso, não conte. Pessoas como ele podem tentar de tudo para conseguir o que querem, ainda mais se for para benefício próprio.
Lory comprimiu os lábios, também apreensiva e pensativa.
— Se fosse em outro momento, eu te diria para confiar em Morgan, mas do jeito que vocês estão indo, por hora não devemos contar nada mesmo. Tenho pensado em algumas coisas e talvez possamos resolver a situação de vocês logo. — sugeriu Lory com um tom misterioso.
Em seguida, Hanna soltou um espirro alto, levando as mãos ao nariz e espirrando novamente.
— Céus! Esqueci os remédios, falando nisso... Tem outra coisa. Morgan quer enviar um médico para te tratar. O que acha disso?
— Não! Lory me ajude, por favor! — pediu ela desesperada.
— Eu vou pensar no que fazer, mas agora eu tenho que ir buscar os remédios. Alem disso, você agora é o fantasma da antiga esposa de Morgan. Você deixou os empregados apavorados, tem até vídeo seu no grupo deles.
Hanna apenas riu satisfeita.
— Assim posso tornar a vida de Morgan ainda mais infernal se ele quiser me manter presa aqui sem me cumprir o acordo corretamente. — resmungou ela em seguida.
Lory trouxe os remédios, mas não conseguiu convencer Morgan de que Hanna não precisava de um médico. Ainda assim, no dia seguinte, o médico estava lá como Morgan disse que faria.
Hanna estava de cama com dor e febre quando Lory subiu correndo ao seu quarto para avisar que o médico havia chegado.
— Lory... o que faço agora? — perguntou ela apreensiva, pulando da cama, mas desequilibrando-se e caindo de joelhos.
— Você não pode levantar da cama. Se bem que não é ruim um médico vir já que você está muito gripada. — comentou Lory segurando em seu braço para que ela se mantivesse de pé.
— Lory... não quero um médico, ainda mais sendo homem de confiança de Morgan. Eu tenho que me esconder! — resmungou ela olhando ao redor.
Ela encarou a porta por uma última vez e sorriu animada porque ninguém imaginaria que ela estaria ali, naquele quarto frio e isolado que mais parecia um quarto fantasma, mas ela não tinha medo.
Primeiro ela puxou o lençol que cobria a cama, ela se sentiu confusa quando viu uma camisola de seda bege ali esticada como se alguém tivesse escolhido para usar quando fosse dormir, assim também como do lado, havia um minúsculo e curioso pijama, aquela roupinha pertencia a um bebe que poderia ter me torno de meses ainda, por ser uma peça tão pequena.
— Porque essas coisas estão aqui? — se perguntava ela estendendo a mão para pegar um objeto, contudo se sentiu receosa. Era como se estivessem ali por anos, e ela se sentiu culpada em alterar qualquer coisa.
Cobriu a cama novamente e seguiu até o guarda-roupa. Sentiu receio em levantar aqueles lençóis. O frio que invadia aquele lugar lhe dava uma sensação sombria, como se alguém a observasse, e isso lhe fazia sentir calafrios.
Ela levantou o pano do guarda-roupa com temor e abriu a porta. Uma nuvem de poeira já estava se formando ali por ela mexer naquele forro, ainda assim ela estava curiosa. Quando viu aquelas roupas ali, puxou o pano descobrindo o grande guarda-roupa de luxo que dominava a parede principal do quarto opulento. Feito de mogno polido, ele era tão grande que deixou Hanna boquiaberta. Ela começou a abrir as portas, e cada uma revelava roupas perfeitamente dobradas e conservadas.
Tinha uma parte com roupas femininas, e outras com roupas de bebês, em seguida as roupas de bebê recém-nascido. Hanna estava intrigada, seu peito acelerado com aquela situação. Afinal, não tinha nenhuma criança na mansão. Ela ficou tão curiosa que começou a buscar mais respostas. Em cada móvel, ela encontrava uma informação. O armário de produtos de cuidados do bebê, outros claramente da mulher e assim também o do homem. O berço, com os pequenos ursos de pelúcia, estavam todos ali a tanto tempo, contudo bem conservados pelos panos. A marca de algo no berço, leite, mingau, nem isso foi tirado. A última coisa que faltou foram as cômodas. Então ela tirou o pano que cobria o abajur e a cômoda juntos. Parecia que o quarto tinha sido abandonado e foi preservado do jeito que foi deixado.
Ela começou a tirar os papéis das gavetas ansiosa por informação. Assim que reconheceu todos, se sentou no chão entre aqueles papéis e ficou ainda mais pasmada quando viu de quem se tratava.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.