Cap.38 perseguição da filha.
— Ola, Danica... — murmurou Maya com a face retorcida em desdém ao analisar Hanna. Esta, por sua vez, impôs uma postura inabalável, demonstrando não estar nem um pouco intimidada, mesmo com o quadril dolorido. Com passos lentos e firmes, caminhou até a cômoda, onde se apoiou com leveza.
— O que faz aqui? — perguntou Maya com tom ríspido.
— A pergunta deveria ser sua, não minha. — respondeu Hanna secamente. — Na verdade, você não é bem-vinda aqui. E, quanto ao que viu esta manhã... — fez uma pausa dramática, seus olhos cintilando com ironia — era apenas um mal-entendido.
— Ah, é? — Hanna suspirou, um sorriso de canto se formando em seus lábios. E qual seria esse mal-entendido?
— Como sabe, Morgan e eu... — Maya iniciou, mas foi bruscamente interrompida.
— Morgan e você não são nada! — asseverou Hanna, encarando-a com firmeza. Maya ergueu as sobrancelhas, surpresa com a segurança da jovem.
— Como se atreve? Você acha mesmo que tem o direito de falar nessa casa? Uma criada! — exclamou, rodeando a cama e parando em frente a Hanna, que permaneceu ereta e de olhar altivo, demonstrando que não se intimidaria.
— Pelo menos ser uma criada é bem melhor do que uma biscate que vive correndo atrás de homem casado...
Hanna teve sua fala abafada por um tapa estonteante. O barulho ecoou pelo quarto, deixando um silêncio pesado no ar. Ela apertou os lábios com força, contendo a raiva que subia à superfície.
— Você se acha muito importante? Só porque saiu com ele hoje? Com que direito me acusa de estar correndo atrás de homem casado se você foi quem saiu com ele, sabe lá para onde, mas vendo que tipo de mulher é... bem provável que...
— O que?! — Hanna gritou, a voz carregada de fúria. — Você acha mesmo que eu seria tão baixa quanto você, que já se jogou para um homem casado? Não sabia que era dessa forma que se cumprimenta um homem casado, então não me compare...
Maya a empurrou com força contra a cama, silenciando-a abruptamente.
— Senhora Maya? — Ela ouviu a voz de Lory atrás de si, e internamente praguejou aos sete ventos por sua chegada. — O que está fazendo aqui?
— Não é da sua conta, Maya respondeu com a voz baixa e rouca.
— Não é o que eu vi, Lory retrucou, observando-a com calma. — Você, uma mulher adulta, está intimidando uma menina mais jovem por algo que você criou em sua cabeça.
Maya passou por Lory sem dizer nada, mas antes de sair, a encarou com rigidez.
— Isso é o que vamos ver, — ela disse com a voz tensa. — Alem disso, acho melhor você mostrar à sua sobrinha qual é o lugar dela.
Maya se retirou, batendo a porta com força atrás de si, deixando um clima pesado no ar.
— Céus... não imaginava que essa mulher voltaria a essa mansão. — murmurou Lory, aproximando-se de Hanna e analisando seu rosto com preocupação.
Hanna, por sua vez, se mantinha em silêncio, seus olhos ardendo em fúria contida.
— Pelo visto, essa mulher vai me trazer um grande problema, — ela disse, a voz carregada de ressentimento. — Eu não queria ficar nesta parte da mansão, mas e agora? Você acha que é adequado eu ficar aqui, sabendo que essa mulher está me perseguindo?
— Foi divertido? Como foi sair com ele? — Lory perguntou com curiosidade.
— Bom... levando em conta que algumas revelações me deixaram desanimada, não posso reclamar, — Hanna admitiu. — Ele me tratou muito bem. Além disso, estive um pouco errada. Apesar de não me amar, ele mantém um certo respeito, pelo menos no homem que ele representa.
— Isso significa que seus sentimentos mudaram sobre ele? — Lory perguntou ansiosa por uma resposta.
— Um pouquinho... ele não parece ser tão ruim assim... — Hanna suspirou pensativa. — mas não é isso que importa, amanha eu vou aproveitar dessa liberdade para ver meu irmão, sinto tanto a falta dele, você pode me levar?
— claro, estando aqui você pode sair para vê—lo quantas vezes quiser sem levantar suspeitas, você não gosta disso?
— ah... Sim! e só por causa disso eu vou aguentar, e amanha bem cedo vou visitá-lo. — avisou cheia de animo.
A noite se estendeu sem mais incidentes. A manhã chegou, trazendo consigo a beleza de um dia quente e fresco que entrava pela janela de Hanna, que ainda dormia profundamente.
Um estrondo a acordou. Alguém batia à sua porta. Ela se levantou e a abriu, e Maya, aparentemente desequilibrada, escorregou para trás, batendo contra a parede. Uma bandeja voou para cima, lançando seu conteúdo no chão. Maya caiu em meio à bagunça, se molhando com todo o café e chá que havia ali.
— Céus! Hanna exclamou assustada e ainda sonolenta. Sentiu a quentura dos líquidos em sua mão quando molharam-na.
— Você! Maya gritou, choramingando. Por que faz essas coisas? Por que? Ela a acusou, a voz carregada de raiva. Hanna ainda não tinha entendido o que Maya queria com essa cena, ao mesmo tempo em que sua mão ardia por causa da queimadura.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.