Cap.82: Observados
O ar estava carregado de eletricidade enquanto Morgan se aproximava de Hanna, seus olhos fixos nos dela. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Morgan. Hanna apertou o kimono contra o corpo, tentando se esconder, mas era inútil. Morgan já a havia visto.
— Não preciso provar essas roupas — ela balbuciou, a voz fraca. — Não é necessário.
Morgan suspirou, seus olhos percorrendo o corpo de Hanna por um instante.
— Na verdade — ele disse, a voz rouca — não temos nada a esconder. Você já me viu.
As palavras de Morgan atingiram Hanna como um soco no estômago. Ela se lembrou da noite em que o havia visto nu, a humilhação que sentira, a confusão que a dominara.
— Aquilo foi um acidente — ela murmurou, os olhos cheios de lágrimas. — Eu só estava tentando...
— Recuperar algo que não era seu? — Morgan a interrompeu, a voz carregada de ironia. — Eu não entendo seu relacionamento com Hanna. Ela ainda é minha esposa, e se você quer ficar perto de mim, não é prudente ser amiga dela. Em breve, eu me afastarei dela para sempre.
Hanna comprimiu os lábios, o peito apertado pela dor, pensava no que aconteceria se ele descobrisse a verdade, sua reação ao comparar seus perfumes a deixou ainda mais temerosa.
— Tudo bem — ela disse, finalmente encontrando coragem. Deixou o kimono cair, revelando a lingerie que tinha escolhido.
Em seguida, ele sorriu em seguida seu olhar sutilmente se acendeu, mas ele se conteve enquanto ela se mantinha ereta com a respiração irregular em cima do pequeno palanque que não tinha nem meio centímetro de altura que deixava Hanna da altura de Morgan.
— com certeza qualquer uma dessas peças ficara bem. — ele confessou com seu rosto próximo ao dela, ela estava tão envergonhada que mal conseguia se mover, ela sentiu o ar quente da respiração dele aquecendo sua face e seus lábios se tocarem brevemente, Hanna mantinha as mãos descansando entre os seios, sem conseguir afastar Morgan, ele apertou as pálpebras demonstrando estar inquieto e praguejou algo para si mesmo voltando a se afastar.
— Não vou conseguir ver você vestida com mais nenhuma outra peça, você fica bem de azul Royal... e acredito que em qualquer cor, quer voltar para casa agora?
— Então essa menina está com problemas por enganar Morgan.
No interior da mansão, Morgan seguia para seu quarto. Hanna colocou todas as coisas sobre a cama, ainda sem reação com tantas coisas novas que tinha ganhado. Depois se auto-praguejou por não ter conseguido o celular. Após se lembrar disso, o nervosismo fez sua garganta secar. Mas quando procurou sua jarra de água, não estava no quarto. Então, saiu do quarto e seguiu até a cozinha a passos inaudíveis.
— Todos viram a mulher com quem o senhor Farrugia estar casado — comentava uma das empregadas.
— Sim... deve ser por isso que o fantasma da antiga esposa deve estar furiosa. Nosso chefe não merecia uma mulher dessas. Até eu sou mais adequada se comparar a aquela aberração. Credo... — ela resmungava, demonstrando calafrios ao se lembrar da cena.
Hanna ficou no canto, ouvindo a conversa com desprezo.
— Sabe o que eu soube? — perguntou a mulher mais velha. As outras se aproximaram dela para ouvir. — Soube que essa menina é filha da antiga senhoria que vivia ao lado da dona da mansão. Melin a tinha como seu braço direito. Aquela velha rabugenta amava bater nos empregados, mas gostava daquela mulher deformada. Deve ser por isso que Morgan teve que se casar com aquela reclusa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após meu noivo fugir, casei com seu pai.