Zoe cruzou os braços encarando o irmão com um misto de raiva e dor e disse:
— Não Ethan, ela não está aqui. Pode me explicar como fez algo desse tipo? Como pode magoar a Helen dessa maneira, eu… eu estou me segurando para não quebrar a sua cara e …
Zoe tremia da cabeça aos pés. O coração disparado, os olhos em brasa. A imagem de Helen desabando ao sair do apartamento ainda latejava na mente dela. E agora, ali, diante do irmão, vendo-o confuso, zonzo, e tentando entender o que havia acontecido, ela não conseguiu mais conter o grito preso na garganta.
— VOCÊ NÃO TINHA ESSE DIREITO! — berrou, com a voz rasgando a alma. — A HELEN NÃO MERECIA ISSO, ETHAN!
Ela avançou. O ódio empurrando cada passo. Socou o peito do irmão com força, uma, duas, três vezes.
— EU TENHO NOJO DE VOCÊ! NOJO! EU TE ODEIO, ETHAN! COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO?!
Ethan não reagiu. Permaneceu ali, parado, sentindo cada golpe dela como merecido. Cada palavra como uma sentença.
Mas, então, segurou os braços da irmã com firmeza, não por agressividade, mas por desespero.
— Zoe… — ele sussurrou, com a voz trêmula. — Olha pra mim.
Ela tentou desviar. Mas os olhos azuis dele a prenderam.
— Eu nunca… faria isso com a Helen — disse, com a respiração falha. — Eu a amo, Zoe. Eu a amo como jamais amei alguém na minha vida.
As palavras saíram como um pedido de socorro. E então, os olhos dele se encheram de lágrimas e Zoe parou.
Seu peito subia e descia com força. O rosto ainda molhado pelo choro. Mas agora, ela olhava o irmão de verdade. E ali, diante dela… estava um homem destruído.
— Eu juro por tudo que há de mais sagrado… — ele murmurou. — Eu não sei o que aconteceu. Mas de uma coisa eu tenho certeza, Zoe… eu jamais faria isso com a Helen. Ela é… ela é a minha vida.
A voz falhou. As lágrimas caíram e Zoe viu.
Viu a verdade.
Ela suspirou, fechando os olhos por um instante. E então o abraçou, com força.
Ethan desabou nos braços dela, o corpo trêmulo, o choro rasgando a garganta.
— Eu não posso perder ela, Zoe… — ele soluçou. — Eu não posso…
— Shhh… calma… — ela acariciava os cabelos dele. — A gente vai pensar no que fazer. Mas agora, a Helen precisa de um tempo sozinha.
— Mas eu não fiz nada… — ele repetiu, desesperado. — Eu…
— Ethan, eu vi. A Helen viu. Vocês estavam nus, você e a Miranda, abraçados na cama.
— Ela armou pra mim. Eu sei disso! Eu só lembro de beber um pouco do meu uísque… depois… depois tudo ficou escuro. Eu acordei tonto, com ela deitada do meu lado. Eu JURO, ZOE! Eu não toquei nela! EU NÃO TOQUEI NELA!
Zoe engoliu em seco. Ela conhecia Miranda e conhecia o irmão. Mas o problema era muito maior do que o que ele lembrava.
— Eu acredito em você… — disse, por fim. — Mas Helen não viu essa parte. E você precisa entender… ela já passou por situações parecidas com você e Miranda antes. Situações que a machucaram profundamente. Isso… isso trouxe tudo de volta.
— Mas antes eu… — ele tentou argumentar, a voz falhando.
— Eu sei que você mudou — Zoe disse, com os olhos marejados. — Sei que a ama. Mas ela… ela foi ferida demais. E agora, Ethan… ela está despedaçada. Ela precisa de espaço.
Ethan se afastou, passando as mãos no rosto, andando de um lado para o outro.
— Ela está aqui? — perguntou, ofegante. — Helen! Ela está aqui, Zoe?

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