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Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu romance Capítulo 147

O restaurante tinha aquele aroma acolhedor de comida feita com carinho. Mesas de madeira escura, toalhas vermelhas quadriculadas, luzes âmbar penduradas em luminárias rústicas. Helen e Ethan estavam sentados próximos à janela, de mãos dadas sobre a mesa, os dois sorrindo como se o mundo tivesse parado só para eles.

Ethan estava inquieto… inquieto de felicidade.

— Você viu a carinha dele, Helen? — ele dizia pela quinta vez, os olhos brilhando. — Quer dizer… talvez seja menina, mas mesmo assim, aquele pontinho piscando no monitor era o nosso bebê!

Helen ria, encantada com a empolgação dele.

— Você tá muito mais ansioso que eu.

— Claro que tô! — respondeu ele, gesticulando animado. — É o nosso filho. Ou filha. Mas se for filha… — Ele franziu a testa, já entrando no modo “pai protetor”. — Eu vou precisar de uma espingarda. Ou duas.

— Ethan! — ela gargalhou.

— Tô falando sério. Nada de homens por perto até os 30.

— Ou mulheres. — provocou Helen, com um olhar travesso.

— Nada de ninguém! — decretou, cruzando os braços, fingindo indignação. — E se for menino, a mesma regra vale pra ele. Vou educar esse bebê pra ser um monge.

Helen riu tanto que teve que se apoiar na beirada da mesa.

Foi nesse momento que Zoe e Liam surgiram no salão, e Ethan, ao vê-los, se levantou imediatamente como um foguete.

— Adivinhem! — anunciou, antes mesmo deles se aproximarem. — A médica acha que é um menino!

— Aaaaaah! — Zoe gritou, batendo palmas. — Eu sabia! Vai ser um mini Ethan com aquele olhar de CEO dominador de berçário!

— Ou um pequeno tirano — murmurou Liam, rindo. — Parabéns, casal.

Helen sorriu, ainda com a mão na barriga.

— Ainda não é cem por cento, mas… o palpite dela deixou a gente animado.

— Animado? — Ethan repetiu, voltando a se sentar. — Eu tô quase comprando um terninho em tamanho RN e mandando fazer uma mini gravata.

— Socorro. — disse Zoe, puxando uma cadeira. — Esse menino vai andar de terno no parquinho.

— Se for menino — corrigiu Helen, levantando o dedo. — Ainda há chance de ser uma princesa.

Zoe bateu no ombro do irmão.

— Se for menina, já aviso: vai aprender tudo com a titia aqui. Primeiro salto aos dois anos. Maquiagem aos quatro. E aos seis… balada. Disfarçada de pijama party.

— VOCÊ TÁ MALUCA?! — Ethan quase engasgou com a água. — Você tá proibida de ensinar qualquer coisa!

— Ah, Ethan… — Zoe disse, apoiando o queixo nas mãos, com um sorrisinho malicioso. — Vai ser sua carinha… falando como você, com aquele jeitinho teimoso… Imagina ela falando “ninguém manda em mim” e revirando os olhos.

Helen ria tanto que precisou de um guardanapo para secar as lágrimas.

— Eu tô amando ver você vermelho, amor.

Ethan bufou, mas o olhar era completamente apaixonado.

— Vocês duas vão me matar. Aposto que esse bebê já ouve e está rindo lá dentro.

Zoe piscou para a barriga.

— Aprende com a titia, docinho. A gente vai dominar o mundo. Depois eu te ensino a deixar seu pai maluco.

— Zoe! — Ethan resmungou, mas não conseguiu disfarçar o riso. — Eu vou te internar.

— Você vai me agradecer quando ela for capa de revista aos cinco anos com o título “CEO mirim de sucesso”.

Liam só observava, rindo, mexendo o canudo na bebida.

— Esse bebê já tem mais personalidade que muita gente adulta.

Alguns minutos depois, Ethan estava com o cardápio aberto como se fosse um general montando uma operação especial.

— Garçonete! — chamou, com um sorriso largo. — Vamos precisar de mais uma cadeira e… deixa eu ver… sorvete de morango, panqueca doce, waffle com mel, batata frita, nuggets, bolinho de queijo e… ah, isso aqui também: o milk-shake de chocolate.

Helen arregalou os olhos.

— Ethan, eu não vou comer tudo isso!

— Vai sim — disse ele, beijando sua bochecha. — Você tá comendo por dois, lembra? E se não conseguir, eu termino.

— É pra você ficar mais linda.

— Mais ainda?! — Zoe fingiu cair da cadeira. — Meu Deus, eu vou vomitar amor.

Liam limpou a boca com o guardanapo e se inclinou para Ethan.

— Você tá mesmo feliz, hein?

Ethan olhou para Helen, depois para a barriga dela, depois voltou ao amigo com os olhos úmidos.

— Mais do que nunca, cara. Pela primeira vez… eu sinto que tô exatamente onde devia estar.

Helen estendeu a mão para ele por baixo da mesa. Os dedos se entrelaçaram em silêncio.

Mas então… algo mudou.

Helen congelou por um segundo. O garfo parou no ar. Os olhos dela se afastaram da mesa, encarando um ponto indefinido da rua lá fora. Um calafrio subiu por sua espinha como se alguém tivesse encostado um cubo de gelo em sua nuca.

Ethan percebeu imediatamente.

— Amor? — chamou, tocando seu braço. — O que foi?

Ela piscou, forçando um sorriso.

— Nada. Só… um arrepio. Como se… alguém estivesse olhando.

Zoe olhou pela janela automaticamente.

— Acho que é só a frente fria. Tá ventando.

— É. — Helen concordou, mas o sorriso não durou muito.

O incômodo ficou. Um peso estranho no peito. Uma sensação que não fazia sentido, mas era impossível ignorar.

E do outro lado da rua, sentada em um carro escuro entre os veículos, Miranda observava. Os olhos fixos. O olhar morto, a boca seca e as unhas arranhando o couro do volante.

— Aproveita, vadia. — murmurou. — Porque esse sorriso vai ser o último por um bom tempo.

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