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Após o Divorcio Meu Marido Se Arrependeu romance Capítulo 167

A sala de reuniões da delegacia parecia respirar tensão. O ar, denso e imóvel, carregava o tipo de silêncio que antecede revelações capazes de mudar o rumo de uma vida ou de várias. A luz fria do teto iluminava os rostos tensos de três homens que conheciam o inferno de perto: Ethan Carter, de semblante fechado e olhos atentos. Liam Owen, mais retraído, mas com o maxilar trincado pela preocupação; e James Foster, cuja expressão oscilava entre culpa e descrença.

Diante deles, sentada com postura impecável, estava a Dra. Beatriz Velloso, psiquiatra forense da delegacia. Cabelos grisalhos presos num coque firme, óculos de armação dourada e mãos firmes folheando um relatório que, de tão grosso, parecia conter anos de uma vida distorcida. O silêncio era absoluto. Até o som da rua parecia ter desaparecido. E quando ela finalmente ergueu os olhos, foi como se o próprio tempo parasse.

— Obrigada por aguardarem. — A voz da psiquiatra era firme, sem pressa, mas carregada de peso. — Como sabem, fui designada para reavaliar o histórico psiquiátrico da senhora Miranda Fletcher após os eventos ocorridos nos últimos dias. E o que descobri é… profundamente preocupante.

Ethan se ajeitou na cadeira, cruzando os braços. Seus olhos, claros e intensos, buscavam nas palavras da mulher algo que já suspeitava, mas temia confirmar.

— Ela tem mesmo um histórico antigo? — perguntou, o tom sério, quase frio.

Dra. Beatriz assentiu lentamente, depois empurrou os óculos com o dedo indicador.

— Muito mais do que isso, senhor Carter. Entrei em contato com a clínica onde Miranda foi supostamente internada após a formatura universitária. Revirei arquivos, ouvi ex-funcionários, confrontei o que foi dito com o que está registrado. Segundo os documentos oficiais, Miranda foi diagnosticada há cerca de seis anos com esquizofrenia paranoide com episódios de mania severa. Em termos técnicos, esquizofrenia maníaco-depressiva. Um quadro gravíssimo.

James se inclinou para frente, a testa franzida.

— Mas… ela teve alta. Eu vi o laudo. Ela estava estável. Foi isso que me disseram.

Dra. Beatriz suspirou. Fechou a pasta com força, como se o som pudesse reforçar a gravidade do que vinha a seguir.

— Ela nunca teve alta oficial. O que houve foi um laudo… fraudado. A própria clínica confirmou: Miranda apresentava melhora parcial, mas estava longe de estar apta para sair. O problema é que um dos psiquiatras, o Dr. Érico Vasconcellos, responsável pelo acompanhamento dela, assinou o laudo de alta por motivação pessoal.

Liam ergueu o olhar, a confusão estampada no rosto.

— Como assim, motivação pessoal?

A doutora recostou-se na cadeira e inspirou fundo, escolhendo as palavras com cautela.

— Miranda e esse profissional desenvolveram um relacionamento… íntimo. Ele a atendia, acompanhava seus surtos, suas crises. Com o tempo, envolveu-se emocionalmente e fisicamente. Um caso, claramente, de violação ética e criminal.

Ethan soltou um palavrão baixo, pressionando os dedos contra os olhos. Depois, encarou James.

— Ela seduziu o próprio psiquiatra. Conseguiu manipular um homem que supostamente era treinado para identificar isso. E ninguém desconfiou?

James estava branco. Levou as mãos ao rosto, passando os dedos pelos cabelos com frustração.

— Isso explica tudo… — murmurou. — O olhar vazio, as crises… mas também a frieza e o cálculo. Ela sempre soube fingir. Até comigo. Até quando dizia que me amava.

Ethan se inclinou para frente, os olhos ardendo de raiva.

— Ela não amava ninguém. Ela estava doente. Perigosa. E agora sabemos que nunca deveria ter saído daquele hospital.

— Se houver qualquer movimentação estranha… — disse Liam, quebrando o silêncio —, qualquer tentativa de contato, qualquer instabilidade… quero ser o primeiro a saber.

— Vocês todos serão informados — garantiu o delegado. — Estamos instalando uma vigilância digital permanente nas comunicações externas dela. E a promotoria está sendo notificada sobre a negligência da clínica anterior. Haverá punições.

James, ainda cabisbaixo, murmurou:

— E quanto ao psiquiatra?

— Será processado criminalmente — respondeu Dra. Beatriz. — A Ordem de Psicologia e Psiquiatria já foi notificada. Ele deve perder a licença e responder judicialmente por falsificação de laudo e abuso de autoridade.

O silêncio voltou, mas dessa vez, era um silêncio diferente. Um silêncio mais sóbrio, menos sufocante. Um silêncio de quem sabia que, embora o passado não pudesse ser mudado… o futuro ainda podia ser protegido.

E pela primeira vez em muito tempo… Ethan Carter acreditou que talvez, só talvez, o pesadelo estivesse perto de terminar.

Ou, ao menos, de mudar de forma.

E, do lado de fora da delegacia, o céu começava a escurecer.

Como se o mundo soubesse que, mesmo após um dia de revelações, a noite ainda poderia guardar segredos.

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