A manhã do batizado amanheceu com um brilho especial. O céu, limpo e azulado, parecia saber que aquele seria um dia abençoado. A pequena capela escolhida por Helen e Ethan era simples, rodeada por árvores e flores silvestres, com bancos de madeira clara e vitrais que deixavam a luz entrar com suavidade, tingindo o chão com tons de esperança.
David dormia tranquilamente em seu bercinho portátil, vestido com uma túnica branca bordada por Katerina. Sobre o peito, um pequeno broche dourado em forma de estrela, presente de Valentina, “porque ele é nosso bebê brilhante”, como ela dizia.
Helen ajeitava o cabelo diante do espelho da sacristia, o olhar emocionado e distante. Ethan chegou por trás, com David nos braços, e encostou o queixo no ombro dela.
— Pronta, mamãe do ano?
— Pronta pra chorar igual no casamento — respondeu ela, sorrindo pelo reflexo.
Ethan encostou os lábios na bochecha dela.
— Você tá linda. E o nosso filho… parece um anjo.
— O mais bagunceiro dos anjos.
— Puxou a você.
— Você acordou ontem três vezes achando que ele não tava respirando. E em todas ele tava só… dormindo.
— Eu sou um pai cauteloso!
Helen riu e virou-se para pegar David no colo. Ele abriu os olhos por um segundo e bocejou com a boca toda torta, arrancando um “owwwn” uníssono da sala. Os cabelos loiros estavam bem penteados e os olhos azuis eram reluzentes e deixavam todos apaixonados.
Zoe entrou pela porta da lateral da capela com um vestido rosa claro e uma expressão de diva emocionada.
— Tô parecendo a madrinha mais gostosa da paróquia?
— A mais gostosa e minha. — completou Liam abraçando a namorada.
— Tô quase batizando você também. — brincou Ethan.
James apareceu em seguida, com terno impecável, gravata azul e o cabelo arrumado, carregando um terço nos dedos e um sorrisinho debochado nos lábios.
— O padrinho chegou. Podem começar.
— Você só chegou cedo porque eu te acordei com meia hora de antecedência. — acusou Tânia, entrando atrás dele com um coque elegante e um vestido azul-marinho.
— Detalhes.
Richard e Katerina estavam do lado de fora recebendo os convidados. Donald se emocionava a cada dois minutos e chorava com uma constância que arrancava risos de Melissa.
— Pai, é só o batizado. O casamento já passou. O nascimento já passou. Vamos com calma.
— Ele é meu neto. Tenho direito a chorar quantas vezes quiser. E você me respeita!
Michael e Samantha trouxeram flores para o altar e tiraram fotos discretas enquanto a cerimônia se aproximava. Liam distribuiu missais e organizou os bancos como um verdadeiro cerimonialista improvisado.
Quando todos estavam posicionados, o padre entrou. Era um senhor simpático, com olhos claros e sorriso sereno. A cerimônia começou com um canto suave entoado por um coral infantil que derretia corações logo nas primeiras notas.
Helen segurava David nos braços com o coração pulsando fora do peito. Ethan estava ao seu lado, com os dedos entrelaçados nos dela, e Zoe e James posicionaram-se logo atrás, como uma muralha afetuosa de amor e proteção.
— Queridos pais, padrinhos e familiares — começou o padre. — Hoje, celebramos a entrada de David nesta grande família de fé. E o fazemos rodeados de amor, cumplicidade e alegria.
Helen sorriu. Ethan enxugou os olhos discretamente.
— Este menino já é tão amado — murmurou ela.
— E vai ser ainda mais. A vida dele vai ser linda. Porque ele tem você. — respondeu Ethan, com a voz embargada.
O momento do batismo chegou. Helen entregou David a James com delicadeza. O padrinho levou o bebê até a pia batismal e o segurou com firmeza, mas com o coração tremendo.
O padre molhou a ponta dos dedos na água benta.
— David Carter, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A água escorreu suavemente sobre a cabeça de David. Ele estremeceu… mas ao invés de chorar, soltou um suspiro profundo e voltou a dormir. A igreja inteira riu com ternura.
— Até nisso ele é do contra. — comentou Zoe. — Dormiu no momento do splash.
— Se fosse o James, teria berrado.
— Mentira! Eu era um bebê calmo. — respondeu ele. — Minha mãe disse que só chorava quando faltava leite. Ou quando me separavam do meu travesseiro.
— Isso explica muita coisa.
Após o batismo, o padre ergueu as mãos para abençoar a família. Helen e Ethan se ajoelharam com David entre eles.
Na hora das fotos, Zoe organizou uma bagunça generalizada.
— Ok, ok! Vamos lá! Foto dos pais com o bebê. Agora dos padrinhos. Agora dos avós. Agora dos tios. Agora com o cachorro.
— Zoe, a gente não tem cachorro.
— Então adota um! Eu quero foto com todos os membros da família!
As fotos foram tiradas com risos, beijos e poses desajeitadas. Até James, que tentou fugir, acabou deitado no gramado com David sobre o peito enquanto todos riam da cena.
Quando a tarde começou a se despedir, Helen e Ethan sentaram-se sob uma árvore com David no colo. Ele estava desperto agora, com os olhos bem abertos, como se também estivesse curioso sobre o dia especial.
— Tá tudo bem, meu amor? — Ethan perguntou.
— Tá. Tudo tão calmo. Tão leve.
— Eu queria congelar esse instante.
— E viver pra sempre com ele nos braços.
— A gente vai viver. Um dia de cada vez. Mas sempre assim. Juntos.
Helen apoiou a cabeça no ombro do marido e sorriu.
— O batizado foi perfeito.
— E você foi perfeita.
— E o nosso filho…
Ethan beijou a testa do bebê.
— … é o nosso milagre.
Ali, no fim daquela tarde azul, rodeados por pessoas que os amavam, Helen e Ethan entenderam de uma vez por todas que a vida, apesar de tudo, sempre encontra uma forma de florescer.
E no meio do caos, da dor e das memórias difíceis, o amor ainda era, e sempre seria, o batismo mais sagrado de todos.

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