Capítulo 200
Ezequiel Costa Júnior
Quando voltamos pra casa, fiquei com a mão sobre a barriga da minha mulher, guiando-a com cuidado pela entrada de casa enquanto ela sorria, ainda encantada com o que vimos no exame de hoje.
— Está tudo bem com ele... ou ela — ela murmurou, rindo baixinho, com aquele brilho nos olhos que fazia meu coração bater mais forte. — E o pé é igual ao seu, amor. Você viu?
— Vi. E o nariz é igual ao seu, a boca igual a sua. Estou perdido se for menina — respondi, puxando ela com carinho até a porta.
Mauro e Samira vieram antes de nós. Haviam sido os únicos privilegiados a saberem o sexo do bebê naquele momento. Os dois seguraram a surpresa com uma seriedade que só quem está acostumado a guardar segredos de guerra consegue manter. Eu tinha minhas desconfianças, claro, mas hoje saberíamos como chamar nosso pequeno ou pequena.
Assim que abri a porta, Mariana apertou minha mão.
— Espera… — ela sussurrou, franzindo o cenho ao olhar pra frente. — Amor… olha isso.
O jardim já estava decorado. Balões azuis e rosas flutuavam amarrados em arranjos refinados. Uma faixa pendurada entre duas palmeiras dizia em letras douradas: "Menino ou Menina? Descubra com a gente!"
Eu soltei uma risada rouca, balançando a cabeça, surpreso. Samira sorriu com orgulho e Mauro, sempre discreto, ajeitou os óculos no rosto e murmurou:
— A gente teve uma ajudinha dos soldados pra adiantar tudo.
A sala estava impecável. Mariana levou a mão à boca ao ver a decoração. Ursinhos de pelúcia com gravatinhas e lacinhos, uma mesa com doces artesanais, copos personalizados, arranjos florais em tons pastéis, tudo como ela sonhava.
— Vocês fizeram isso em tempo recorde, né? — ela perguntou, emocionada, olhando pra Samira.
— Você precisava de uma surpresa feliz. De um momento só pra curtir — Samira respondeu, abraçando-a. — E também… confessa que estava ansiosa demais pra esperar o chá da semana que vem, né?
Mariana sorriu, limpando uma lágrima do canto do olho.
— Estava mesmo…
— Então pronto. É hoje. Com os mais próximos. Com quem importa e os membros da Zion — falei, passando o braço pelos ombros dela.
Observei vários parceiros da Zion e pessoas com grande influência que Mauro convidou. Fui cumprimentando um a um.
Mauro puxou uma caixinha que estava na mesa e entregou pra mim.
— Só vocês dois podem estourar o balão. Está tudo aqui — disse ele.
Peguei o pequeno controle remoto que me entregou. Mariana olhou pro jardim, onde um grande balão preto com pontos de interrogação prateados flutuava sob um arco de flores.
Ela olhou pra mim, eu olhei pra ela. E, mesmo antes do botão ser pressionado, eu soube. Não pelo instinto — que nunca me falha —, mas pela forma como ela segurou minha mão. Pela vibração em seus olhos.
— Pronta? — perguntei.
Ela assentiu, com as duas mãos sobre a barriga.
Apertei o botão.
O balão explodiu com um pequeno estampido e uma chuva de confetes azuis tomou o ar.
— É um menino! — Samira gritou, batendo palmas. Mauro sorriu ao fundo.

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