Quando Diego Vasconcelos dirigiu e deixou Adilson na porta da velha mansão da família Ferreira, já eram onze horas da noite.
O carro preto parou devagar em frente ao portão principal. Através da grade esculpida, era possível ver que as luzes do prédio principal ainda estavam acesas. A iluminação amarelada escapava pelas janelas, projetando sombras irregulares no pátio silencioso.
— Tem certeza de que não precisa que eu entre com você? — perguntou Diego.
Adilson balançou a cabeça e empurrou a porta do carro: — Vá preparar o rascunho da matéria. Quanto mais rápido, melhor.
— Fique tranquilo. — disse Diego. — A primeira leva de notícias sai amanhã de manhã. Mas, Adilson... você tem certeza absoluta? Depois desse passo, não tem mais volta.
Adilson parou fora do carro e o vento da noite soprou, deixando-o um pouco mais sóbrio. Ele levantou a cabeça para olhar para aquele prédio familiar — o lugar onde cresceu, que agora parecia uma fortaleza fria.
— Já não tem mais volta faz tempo. — ele disse em voz baixa, e então fechou a porta.
O carro de Diego partiu. Adilson ficou parado no mesmo lugar, respirou fundo e finalmente tocou a campainha.
O portão de ferro se abriu lentamente. Ele atravessou o pátio e subiu os degraus do prédio principal. No saguão, o velho mordomo já esperava, com uma preocupação que não conseguia disfarçar no rosto.
— Senhor. — disse o mordomo em voz baixa. — O patrão e a patroa estão esperando no escritório. A cara deles... não está nada boa.
Adilson concordou com a cabeça: — Eu sei. Prepare uma sopa para curar a ressaca para mim.
— Já está preparada. — O mordomo se virou e trouxe uma bandeja, onde havia uma tigela soltando vapor. — Senhor, é melhor beber um pouco, o cheiro de álcool está um pouco forte.
Adilson pegou a tigela, ergueu a cabeça e bebeu tudo de um só gole. O líquido morno escorreu pela garganta, dissipando um pouco o frio no estômago.
Ele colocou a tigela vazia de volta na bandeja e ajeitou o paletó: — Há quanto tempo eles estão no escritório?
— Quase duas horas. — O mordomo disse baixinho. — A patroa não para de falar ao telefone e o patrão... está assistindo às notícias o tempo todo.

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