Adilson respirou fundo e explicou brevemente o plano discutido com Diego Vasconcelos no bar.
O escritório ficou em silêncio.
Roberto encostou as costas na cadeira, os dedos batendo de leve no apoio de braço e o olhar distante, impossível saber o que estava pensando. Giovana exibia uma expressão incrédula, tentou abrir a boca algumas vezes, mas sempre foi contida pelo olhar de Roberto.
— Então, — Roberto começou a falar devagar — o que você sugere é transformar esse escândalo em uma bela história de reconciliação. Você e Berta Ramos sempre se amaram, mas se separaram por um mal-entendido e agora reataram. Tereza Viana... foi apenas um casamento arranjado pelos idosos, sem qualquer sentimento entre vocês.
— Sim. — Adilson assentiu. — Esse é o plano mais viável no momento. Negar não faz sentido, só vai piorar as coisas.
— E como explicar as fotos de Berta no exterior? — Roberto perguntou.
— Podemos dizer que ela foi forçada pela situação. — Adilson respondeu. — A família Ramos quase faliu há três anos. Ela teve que trabalhar no exterior para se sustentar e criar o filho, precisando comparecer àquelas festas. Mas ela não fez nada de errado, foi só para sobreviver.
Roberto ficou em silêncio por alguns segundos e acenou com a cabeça: — Soa... de fato viável. Pelo menos é melhor do que a situação atual.
— Pai! — Giovana não aguentou mais. — Como você pode concordar?! Aquela Berta, sabe-se lá com quantos homens ela dormiu no exterior e agora ela volta com uma criança sem pai para o Adilson assumir a responsabilidade, e vocês ainda querem transformá-la em uma mulher inspiradora?! Eu não aceito isso!
— Você não concorda? — Roberto virou-se para olhá-la com um olhar de gelo. — E o que você faria? Vai deixar o Adilson continuar sendo a piada da cidade? Vai deixar as ações da Ferreira despencarem todos os dias? Vai deixar aqueles velhos do conselho exigirem o cargo dele diariamente?
Giovana engasgou e ficou calada, embora sua expressão ainda mostrasse revolta.
Roberto voltou a olhar para Adilson: — E a criança... Erasmo Ramos, tem certeza de que é seu?
— Fiz o teste de DNA. — disse Adilson. — É meu.
— Ótimo. — disse Roberto. — Desde que seja o seu filho, então tudo bem. Mesmo que não fosse nosso neto, teríamos que afirmar que era. Além disso, ter um neto seria vantajoso para a família Ferreira.
Ele disse isso com muita calma, mas Adilson percebeu o cálculo naquelas palavras — a família Ferreira precisava de um herdeiro e o surgimento de Erasmo preenchia essa lacuna perfeitamente.
— Mas a Berta... — Giovana ainda tentou argumentar.
— O assunto da Berta pode ser resolvido com calma. — Roberto a interrompeu. — O mais importante agora é salvar o prestígio da família e estabilizar o preço das ações. O plano de Adilson é a melhor opção que temos.

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