Capítulo 19: O Ciúmes Não Foi o Culpado
Rafael
Algumas semanas se passaram desde aquela noite em que quase a perdi por causa do meu próprio ciúme idiota. E, desde então, tudo mudou. Não de forma explosiva, como nos filmes. Foi devagar, sutil, mas profundo. Laura e eu nos tornamos algo real. Algo que eu não sabia que ainda podia ter.
Os dias agora tinham um ritmo diferente. De manhã, eu descia para o café e encontrava ela servindo Enzo, com aquele sorriso que iluminava a cozinha inteira. Nossos olhares se cruzavam por cima da mesa, e era como se o mundo inteiro parasse por um segundo. Às vezes, quando Elena virava para pegar algo, eu roçava os dedos na mão dela por baixo da mesa. Ela apertava de volta, corando levemente, e eu sentia um calor que não vinha de desejo apenas, vinha de algo mais calmo, mais sólido. Amor.
Eu estava me apaixonando de verdade, e isso me aterrorizava e me fazia sentir vivo ao mesmo tempo.
À noite, depois que Enzo dormia, a gente se encontrava em segredo. Às vezes no escritório, às vezes na sala principal com as luzes baixas. Beijos lentos que viravam urgentes, mãos explorando por baixo das roupas, mas sempre parando antes de ir longe demais. Ela ainda tinha insegurança eu via nos olhos dela, no jeito como hesitava quando minhas mãos desciam mais. Eu respeitava. Prometi esperar. E esperava. Levava ela à loucura com beijos no pescoço, toques leves nas coxas, sussurros no ouvido dizendo o quanto ela me enlouquecia. Ela gemia baixinho, se agarrava em mim, mas quando eu perguntava se estava pronta, ela balançava a cabeça e sorria tímida. “Ainda não. Mas está perto.”
E eu aceitava. Porque com ela, esperar valia a pena.
Mas ainda escondíamos tudo. Enzo não podia saber, ele era pequeno demais para entender, e eu não queria confundi-lo. Elena percebia, claro. Ela era discreta demais para comentar, mas eu via nos olhares dela, no jeito como sorria quando nos via juntos. A mãe de Laura também não sabia. Laura dizia que ainda não era a hora.
“Ela não vai ver futuro em nós, você ainda é meu patrão.”
Eu respeitava. Mas doía um pouco, eu queria gritar para o mundo que ela era minha. Que eu era dela.
Aquela tarde de quinta-feira, eu cheguei em casa mais cedo. Laura tinha pedido folga para acompanhar a mãe na quimioterapia. Eu concedi sem hesitar, e Elena ficou com Enzo. A casa estava silenciosa sem ela. Enzo brincava no quarto, Elena cozinhava. Eu subi para o escritório, tentando me distrair com trabalho.
O telefone tocou. Marcos.
— Senhor Monteiro, os documentos finais da regularização da senhorita Mendes e da família dela chegaram. A moça do jurídico está levando pessoalmente. Ela chega em vinte minutos. Nome dela é Vanessa. Boa profissional, mas… bem, o senhor vai ver.
Eu suspirei.
— Tudo bem. Manda ela subir direto.
Vinte minutos depois, a campainha tocou. Elena abriu. Ouvi passos femininos subindo a escada. Vanessa entrou no escritório alta, loira, terninho justo, sorriso profissional demais. Bonita, não podia negar. Mas eu não senti nada. Meu corpo e minha mente estavam tomados por outra mulher.
— Senhor Monteiro — disse ela, estendendo a pasta. — Trouxe os últimos ajustes. Preciso da sua assinatura em três lugares.
Eu peguei a pasta, sentei na cadeira e comecei a ler. Ela ficou de pé ao lado da mesa, perto demais. Percebi as segundas intenções no jeito como se inclinava para apontar as cláusulas, o decote sutil, o perfume forte. Eu mantive distância, profissional.
— Aqui e aqui — disse ela, roçando o braço no meu de propósito.
Eu assinei sem olhar para ela.
— Mais alguma coisa?
Ela sorriu, inclinando o corpo um pouco mais.
— Talvez possamos discutir alguns detalhes… em particular. O senhor parece tenso. Posso ajudar a relaxar.
Eu levantei os olhos, frio.
Ela não disse nada. Só me encarou por um segundo eterno, depois virou e saiu correndo pelo corredor.
Eu empurrei Vanessa para o lado sem cerimônia.
— Saia. Agora.
Ela piscou, surpresa, mas saiu rápido.
Eu corri atrás de Laura. O coração batendo como se fosse explodir.
Mas quando cheguei ao corredor, ela já tinha entrado no quarto e trancado a porta.
Eu bati. Uma vez. Duas.
— Laura… abre. Por favor.
Silêncio do outro lado.
Eu encostei a testa na porta, o arrependimento me consumindo inteiro.
E uma certeza gelada me acertou:
Eu posso ter perdido ela de vez… e dessa vez, o ciúme não foi o culpado. Fui eu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
não cosegui ler...