É madrugada e Ava está sozinha no quarto. Enquanto olha para o teto, ouve o barulho de passos se aproximando da porta. Ela desvia o olhar e encara a porta, esperando que a mesma se abra, mas nada acontece. Curiosa, ela se levanta da cama e caminha até a porta. Quando se aproxima, vê a maçaneta girar e a porta se abrir bruscamente. Em sua frente, aparece a figura de um homem alto, usando um capuz que cobre o rosto.
— Não acredito que continue viva — o homem diz, com a voz arrastada.
— Quem é você? — ela questiona, assustada.
— Não importa quem sou, o que importa é o que vim fazer aqui.
De repente, o homem saca uma arma e aponta em sua direção. Antes que Ava consiga dizer alguma coisa, ele pressiona o gatilho e atira.
Um som estridente corta o silêncio, fazendo Ava dar um pulo e abrir os olhos. O vento está batendo contra a janela que ela esqueceu de fechar. Ela respira fundo, sentindo o coração bater a mil, até cair a ficha de que tudo não passou de um sonho.
Com cautela, ela se levanta e caminha até a janela para fechá-la, mas ao aproximar-se, vê Hector sentado em uma espreguiçadeira no jardim, distraído no celular.
— Ele pode se entreter com alguma coisa, enquanto fico aqui, presa… — sussurra.
Tentando ignorar aquilo, decide que é melhor fechar a janela e se retirar.
De repente, uma ideia lhe vem à mente. Sabendo que Hector está distraído e fisicamente distante, vê sua chance.
Com passos silenciosos e decididos, ela deixa o quarto.
Quando chega ao andar de baixo da casa, caminha até a sala de TV. O lugar está silencioso e escuro e, para não chamar a atenção, decide não acender as luzes.
Enquanto começa a procurar o controle remoto da TV, um crescente nervosismo começa a tomar conta dela. Cada segundo sem encontrar o controle aumenta seu desespero. O silêncio da sala parece zombar de sua urgência, e a sensação de estar sozinha em uma missão tão arriscada faz seu coração bater mais rápido.
— Está procurando por isso aqui?
A luz da sala se acende e a voz de Hector corta o silêncio, fazendo Ava girar bruscamente em direção à porta da sala. Hector está encostado no batente, com o controle remoto entre seus dedos. Seu rosto exibe um sorriso enigmático que não alcança seus olhos frios.
O susto inicial dela rapidamente se transforma em alerta. Mesmo tentando manter a compostura, o choque de se sentir pega em flagrante a invade.
“Como ele sabia que eu estava aqui?” Se pergunta, enquanto seu cérebro tenta encontrar uma saída para aquela situação complicada.
— Eu… eu só queria assistir um pouco de TV — A voz dela sai tão trêmula que nem ela mesma consegue se controlar.
Hector caminha lentamente em sua direção, com o controle ainda balançando em sua mão.
— Ava, eu disse para você ficar longe da televisão — ele diz, num tom de advertência. — Mas se quer me desobedecer, vá em frente.
Ele estende a mão com o controle, mas Ava hesita. Mesmo achando que não estava fazendo nada de errado, o jeito com que Hector a olha faz parecer que sim, deixando-a cheia de dúvidas.
— Eu só quero me distrair um pouco.
— Por que você não me chamou?
— Achei que não queria me ver, já que passou o dia inteiro longe do meu quarto — explica.
— Eu só estava ocupado com algumas coisas.
— E agora a pouco? — questiona, por ter visto-o descansando no jardim.

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