Algumas horas depois, enquanto terminam de se vestir, uma batida na porta interrompe o clima leve entre eles.
Lançando um olhar cúmplice para o marido, Ava certifica-se de que ele já está completamente vestido antes de responder.
— Pode entrar!
A porta se abre devagar, revelando Frida, com os cabelos ligeiramente bagunçados e o rosto ruborizado, como se tivesse atravessado a cidade correndo.
— Aqui está, senhora — diz ela, aproximando-se com passos cautelosos, enquanto os olhos passeiam discretamente pelos papéis espalhados no chão. — Era o último pedaço de bolo, mas consegui — revela, entregando a embalagem com um leve sorriso cansado.
— Muito obrigada, Frida. Eu estava mesmo morrendo de vontade — comenta Ava, esforçando-se para manter a compostura e não rir. — Já estou encerrando por hoje, você também pode ir. Aposto que está exausta depois dessa missão.
— Com certeza — responde a secretária, aliviada. — Até amanhã, senhora. Senhor.
Frida sai rapidamente, fechando a porta atrás de si. Assim que o silêncio retorna, Hector não resiste: solta uma gargalhada alta, contagiado pela situação.
Com as mãos na cintura e uma expressão entre cômica e incrédula, Ava o encara como uma professora repreendendo um aluno arteiro.
— Não ria disso! Você não viu a cara dela? Estava parecendo que tinha acabado de correr uma maratona!
— Me desculpa — diz ele entre risos, tentando se recompor. — Mas foi mais forte que eu. Você mandou a mulher cruzar a cidade por um pedaço de bolo só para encobrir seus gemidos.
— Você que mandou eu inventar a história do bolo! — ela rebate, tentando conter o riso. — Como fui dar ouvidos para as suas ideias?
— Culpa sua — ele retruca com um sorriso lascivo. — Se você não fosse tão irresistível, eu teria deixado você terminar o expediente em paz.
Jogando uma almofada nele, Ava termina de abotoar a camisa.
— Vamos embora antes que eu tenha que inventar outro desejo de grávida — murmura.
— Tudo bem — ele concorda, entrelaçando os dedos aos dela com carinho. — Você precisa descansar. Prometo que vou te mimar com uma massagem assim que chegarmos em casa.
— Com segundas intenções? — pergunta ela, pegando a bolsa com um sorriso divertido.
— Com certeza — responde com um sorriso travesso, dando um leve tapinha em sua bunda, apenas o suficiente para fazê-la rir e lançar um olhar fingidamente repreensivo.
Ambos caem na risada enquanto caminham para fora da sala, deixando para trás a bagunça e levando consigo a lembrança de mais um momento leve e apaixonado entre tantos dias intensos.
No corredor, já mais serenos, Ava comenta casualmente:
— Estava pensando em chamar meus pais para jantarem em casa hoje à noite. O que acha?
— Acho uma ótima ideia — responde, abrindo a porta do elevador para ela.
— É bom que eles conhecerão nosso lar, já que nunca estiveram lá.
— Você tem razão — concorda, apoiando as costas na parede do elevador enquanto a observa com ternura. — Acho que nós dois temos coisas que ainda precisamos ajustar. Começamos tudo de um jeito tão fora do comum… é bom que a gente vá costurando o que ficou solto.
Emocionada com a sinceridade do marido, Ava sorri.
— Estamos fazendo isso, Hector. Um passo de cada vez. E acredite, nunca me senti tão em paz como agora.
Ele aproxima o rosto do dela, enquanto o elevador os leva para o térreo.

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