Mesmo enxergando o quanto Ethan estava abalado, Rafa sabia que o que ele havia feito no passado era grave demais. E qualquer passo em falso agora poderia afetar não apenas sua vida, mas a de muitas outras pessoas.
— Ethan, eu não acho que exista algo que possa ser feito neste momento… — ela diz um pouco mais séria. — O que aconteceu… aconteceu. Por mais que nos arrependamos, há coisas que não podem ser desfeitas. O passado já está feito. Não há mais nada lá para ser consertado. E, além disso… os pais da Eva já se foram.
— Você tem razão… — ele sussurra, baixando o olhar.
— Amor… O que você pode fazer agora é garantir que nenhum erro semelhante volte a acontecer. Proteger as pessoas que ama. É isso que importa.
— Você está certa… — ele concorda, recostando-se à cabeceira da cama, soltando um longo suspiro. — Acho que tudo isso me deixou mais nervoso do que imaginava.
— A gente precisa descansar um pouco. Desde que tudo aconteceu com a Ava, vivemos sob estresse constante. Que tal tirarmos uns dias para nós dois? Umas férias. Só nós.
— Férias? — ele repete, surpreso.
— Sim — sorri. — Só nós dois, como nos velhos tempos.
— Parece uma boa ideia, mas… e a Ava? Ela está grávida. Não sei se é a melhor hora para nos ausentarmos.
— A nossa filha está muito bem cuidada. O Hector é um bom marido, tem se mostrado presente, amoroso. Ela está segura. Além disso, ficaremos fora por pouco tempo.
— E o David? Não acha que ele vai sentir nossa falta quando voltar?
— Ethan… nosso filho nunca se sente só. Esqueceu de que ele quase não para em casa? Se não está trabalhando, está se metendo em alguma aventura com os amigos.
— Tem razão… — ele sorri de leve. — Do jeito que ele é, nem vai notar nossa ausência.
Ambos riem.
— Você acha que ele vai se casar algum dia?
— Um dia… talvez. Mas acho que ainda vai demorar muito. O David é um espírito livre. Não gosta de se prender a ninguém.
— Ele vai precisar encontrar alguém tão descomplicado quanto ele. Que goste de viver sem amarras, que adore viajar, acampar, fazer trilha…
— Será que essa mulher existe? — ele brinca, mais leve, como se o peso em seu peito tivesse diminuído.
— Existe, sim — ela sorri. — E aposto que ele vai encontrá-la por aí… em algum destino maluco desses que ele vive inventando.
— Tem razão… — Ethan murmura, puxando-a para mais perto e abraçando-a com força. — Acho que gostei da ideia das férias — confessa, com um meio sorriso surgindo em meio ao cansaço.
Repousando a cabeça no ombro dele, Rafaela fecha os olhos por um instante, como se aquele gesto simples fosse o alívio que ambos precisavam.
— Amanhã mesmo podemos começar a nos organizar — ela diz.
— Tem algum destino em mente?
— Ainda não sei… O que você prefere: praia, montanha, ou um lugar histórico?
— Gosto de todos — responde ele, sincero.
— Então vamos fazer um sorteio! — propõe, com brilho nos olhos, ao perceber que o marido parecia finalmente se acalmar.
Animada, ela se levanta da cama, procura por um papel e uma caneta e começa a escrever o nome de alguns países que sempre teve vontade de visitar.
— Vai me dizendo alguns também — pede, sentada na beirada da cama.
Ethan começa a citar nomes de lugares que marcaram a juventude dele, e outros que ainda sonhava em conhecer. Entre risadas e lembranças, eles preenchem vários pedacinhos de papel, dobram um a um e os colocam em uma pequena caixa de madeira que estava sobre a cômoda.

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