Se recompondo da surpresa, Ethan se levanta e, com um sorriso cordial, estende a mão para a mulher, que aparenta ter quase a mesma idade que ele.
— Nina… quanto tempo — diz, apertando a mão dela.
— Muito tempo mesmo — responde ela, sorrindo. — Que surpresa encontrá-lo. Está de férias?
— Sim. Eu e minha esposa decidimos tirar uns dias para descansar — revela, com um tom leve.
Sentada à mesa, Rafaela observa a interação com o olhar ligeiramente estreito, ainda sem entender quem era aquela mulher que surgiu do nada e parecia tão à vontade com seu marido.
Percebendo o olhar curioso da esposa, Ethan volta-se para ela e faz as apresentações:
— Rafa, essa é Nina De Angelis, ela foi funcionária da família Thompson por muitos anos. Eu gostava muito dela naquela época, sempre foi muito gentil comigo.
Ao ouvir aquele sobrenome, Rafaela sente um arrepio sutil percorrer-lhe a espinha. Família Thompson. Não era preciso muito para associar: Eva Thompson. De repente, a presença de Nina ali, tão distante no tempo e no espaço, adquire um novo peso. Principalmente depois de tudo o que Ethan havia desabafado recentemente sobre sentir que o passado parecia querer retornar.
Tentando esconder a surpresa no rosto, ela sorri.
— Muito prazer, Nina — diz, com a voz doce, porém firme.
— É um prazer conhecê-la, senhora Smith — diz Nina, com um sorriso gentil.
— Você voltou a morar na Itália? — Ethan pergunta, tentando soar casual.
— Sim — responde ela, com um tom sereno que parecia carregar algumas lembranças. — Após a morte do senhor Thompson, eu já pensava em retornar para casa… mas tive receio de deixar a senhora Thompson sozinha. Acabei ficando mais alguns anos com ela, até que adoeceu… e não resistiu. Quando percebi que já não havia mais nada por lá que me prendesse, decidi voltar para o meu país.
— Compreendo… — Ethan murmura, com um ar reflexivo.
— Eu não quero atrapalhar vocês — diz Nina, com a voz agora um pouco vacilante. — Apenas… estava do outro lado da rua, e quando o vi… senti vontade de vir cumprimentar.
— Foi bom vê-la, Nina — Ethan responde, sincero.
— Digo o mesmo — ela sorri, fazendo menção de se despedir. Mas, ao dar um passo para trás, seu corpo hesita, como se algo a impedisse de seguir adiante. O olhar dela baixa por um instante, e quando volta a fitar Ethan, traz uma inquietação visível.
— Ethan… — pondera, medindo as palavras. — Sei que está de férias, aproveitando um tempo com sua esposa, mas… eu… preciso lhe dizer uma coisa…
O nervosismo dela é claro. Rafaela percebe o tremor sutil nas mãos da mulher, o modo como sua voz vacila, como se estivesse travando uma batalha interna sobre falar ou se calar.
Então, antes que o silêncio se prolongue, Rafaela toma a iniciativa:
— Por que não toma um café conosco? — convida, com um sorriso educado.
O convite pega ambos de surpresa. Nina arregala os olhos levemente, enquanto Ethan apenas pisca, sem saber se aquilo era bom ou ruim.
— Eu não quero incomodar, de verdade… — Nina repete, tentando recuar. — Mas… se pudesse conversar com o Ethan por alguns minutos… a sós… eu agradeceria muito.
Um desconforto sutil paira no ar. Rafaela franze levemente a testa, mas antes que ela possa responder, Ethan se adianta:
— Seja lá o que tiver de dizer, Nina… pode falar na frente da minha esposa.
Ele volta a se sentar e segura a mão da esposa com firmeza, como quem deseja deixar claro que nada é escondido por ali.
— Tudo bem — diz Nina, puxando uma das cadeiras e se sentando.

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