Enquanto isso, na cozinha da mansão Moreau, Charlotte está fazendo um chá para levar para Ava. Ela estava escolhendo as ervas quando Doris entra na cozinha e para, olhando para ela de um jeito meio sério.
Estranhando o olhar da mulher, ela questiona.
— Boa tarde, Doris, aconteceu alguma coisa?
— Boa tarde — responde Doris, colocando algumas sacolas em cima da bancada. — Não aconteceu nada.
— Estou preparando um chá para a Ava, acho que isso a acalmará mais — revela.
— Pode deixar que levo — Doris se adianta.
— Mas…
— Já lhe disse, deixe que cuido da Ava — Doris responde, revelando uma ponta de impaciência. — Sua única responsabilidade aqui é garantir que ela receba os medicamentos corretos.
— Tudo bem.
Deixando as sacolas de lado, Doris pega o chá que Charlotte havia acabado de preparar e se retira dali.
Ficando sozinha na cozinha, Charlotte decide se sentar um pouco e mexer no celular. Ela não era o tipo de pessoa que gostava de redes sociais ou de acessar a internet, no entanto, nos últimos dias, estava mais antenada nas coisas que diziam respeito à Ava. Enquanto entrava na página de pesquisas, vê uma manchete que lhe chama a atenção.
“Acompanhe ao vivo a cerimônia simbólica de despedida à Ava Smith”.
Curiosa, ele clica na manchete e vê estarem transmitindo a cerimônia ao vivo. Em silêncio, acompanha as cenas de Ethan e Rafaela chorando, vê como o irmão de Ava está abalado e consegue ver Hector também no meio dos presentes.
— Meu Deus, como esse homem pode ser tão sangue-frio? — se questiona, aterrorizada por perceber o quão longe Hector poderia chegar, só não sabia as custas de quê.
De repente, a câmera foca num homem no meio do salão, depressa ela aumenta o volume do celular e escuta o depoimento do verdadeiro noivo de Ava.
Aquilo é o estopim para ela entender que precisa ajudar Ava a fugir daquela casa. Não podia ver tanto sofrimento sem fazer nada.
— O que está fazendo? — Doris pergunta, ouvindo o som do celular.
Rapidamente, Charlotte desliga o aparelho e a encara com os olhos assustados.
— Não é nada, só estava ouvindo um áudio que recebi — responde, um pouco nervosa.
— Não devia usar o celular no horário de trabalho — adverte Doris, se aproximando mais de onde ela está sentada. — Você não se atentou às recomendações do Hector?
— Claro que sim — diz, guardando o aparelho no bolso. — Me desculpe.
Sem responder nada, Doris observa Charlotte por mais alguns segundos, antes de comentar algo:
— Se eu fosse você, ficaria mais esperta, o Hector não gosta de pessoas que cometem erros.
— Eu já percebi — ela responde, com um sorriso forçado.
Deixando Charlotte de lado, Doris começa a tirar as compras de supermercado da sacola e começa a organizar.
Aproveitando que estavam sozinhas, Charlotte decide fazer algumas perguntas.
— Você trabalha para o Hector há muito tempo, não é mesmo?
— Sim. Antes de cuidar dele, eu trabalhava para o pai dele como assistente.
— E por que deixou de ser assistente para se tornar a babá?
Doris para o que está fazendo e seu olhar se perde um pouco, antes de responder.
— Porque eu quis — explica. — Me afeiçoei ao bebê, ainda mais após a morte da mãe dele.
— Você tem filhos? — questiona.
A pergunta parece deixar Doris um pouco nervosa, ela encara Charlotte com um olhar reprovador, mas decide responder.
— Não, eu não tenho. Nunca me casei.

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