Após dar todas as instruções à Charlotte, Ava caminha até o espelho e se encara por completo, vendo o resultado de sua arrumação. Ela ajeita os cabelos, dá um passo para trás e encara seu reflexo como se procurasse algo fora do lugar, contudo, por mais que não gostasse de admitir: estava impecável.
Pouco depois, a porta do quarto se abre. Doris entra com um sorriso e um buquê nas mãos.
— Olha o que Hector mandou entregar — diz, se aproximando com cuidado.
O buquê era delicado e encantador, com rosas brancas e orquídeas misturadas a pequenas flores claras e folhagens suaves. A fita de cetim nude que envolvia o cabo dava um toque doce e elegante, como se tivesse sido feito exatamente para combinar com o jeito de Ava: forte por fora, mas cheia de sentimento por dentro.
— Ele está esperando por você na sala — completa Doris, com um brilho nos olhos.
Fechando os olhos por um instante, Ava segura o buquê contra o peito. Em silêncio, faz uma pequena prece:
“Que nada me desvie do meu propósito. Que cada passo me leve mais perto da justiça que eu mereço. E que, se houver queda… que seja dos que tentaram me destruir.”
Ao abrir os olhos, a expressão dela está mais firme.
Ao sair do quarto, caminha pelo corredor e desce lentamente as escadas, sentindo o vestido deslizando pelos degraus. E então o vê.
Hector está parado no final da escada, vestindo um smoking impecável. Ao vê-la surgir, ele perde o ar por um segundo. Seus olhos se arregalam, o corpo se inclina sutilmente para frente, como se quisesse se aproximar… e depois congela. Seus lábios ficam entreabertos. Ele a observa em silêncio, hipnotizado.
Ele já havia visto mulheres bonitas, muitas. Mas nenhuma como Ava. Naquele momento, ela parecia intocável; serena, decidida, vestida de branco como uma deusa prestes a pisar num campo de batalha disfarçado de altar.
E então, algo pulsa dentro dele.
Uma sensação estranha, incômoda.
Algo que ele não sabia nomear… porque nunca havia sentido antes.
Quando escolheu aquele vestido, sabia que cairia bem nela. Mas, ao vê-la descendo a escada, percebe que não era só isso. Parecia ter sido feito para aquele corpo, para aquele momento. Como se Ava sempre tivesse nascido para usá-lo.
Quando ela alcança o último degrau, ele estende a mão para ela. Ava a segura com naturalidade, mas por dentro sabia: era hora da cena.
Posicionado próximo a uma das janelas, Mark estava com uma câmera em mãos, registrando tudo.
— Além de médico, também é fotógrafo? — ela brinca, se dirigindo a Mark.
— Não temos muitas opções por aqui, então serei a sua testemunha também — Mark responde num tom humorado.
A sala estava decorada com simplicidade e bom gosto: flores brancas em arranjos baixos, uma delicada passarela de pétalas, e luzes suaves filtradas pelas cortinas entreabertas, criando um ambiente quase celestial.
Após algumas fotos tiradas com cuidado e ângulos pensados, Hector se inclina ligeiramente e diz:
— Já tratei de colocar todas as suas exigências no papel. Só falta você assinar.
Mesmo com o tom sério dele, Ava não abaixa a guarda.
— Lerei com paciência. Preciso ter certeza de que você não acrescentou nada além do que eu pedi.
— Claro — ele diz, abrindo caminho até a mesa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo