Dirigindo de volta para casa, Hector sente como se o universo finalmente estivesse girando a seu favor. Tudo estava se encaixando. James havia cedido, Ava estava sob seu controle e o mundo, finalmente, começava a se moldar ao que ele queria.
Nada poderia estar melhor.
Quando chega, já passam das três da manhã. O silêncio reina. O ar noturno traz um frescor leve, e as luzes internas ainda mantêm a sala iluminada com um tom quente e suave.
A decoração do casamento permanecia ali, espalhadas como uma lembrança da encenação oficializada horas antes.
Ele entra e solta as chaves sobre a mesa lateral. Ao olhar ao redor, um sorriso de canto se forma em seus lábios.
Casado.
O pensamento o diverte mais do que deveria.
Mas quando se aproxima da escada, pronto para subir, seus passos param pesadamente.
No topo da escadaria, está Ava. Imóvel. Observando-o.
Ela veste um robe branco de cetim que cai suavemente sobre o corpo, delineando suas curvas de forma quase descuidada. Os cabelos estão soltos, espalhados pelos ombros como uma seda finíssima.
O olhar dela, misterioso e sereno, o atravessa sem esforço.
Então, ele sente a garganta secar. Seu sorriso desaparece lentamente, como se tivesse sido arrancado do rosto. Por um momento, não sabe se aquilo é uma provocação, um acaso… Permanecendo parado no primeiro degrau por um instante, observa Ava como se ela fosse uma miragem. A imagem dela ali, com o robe de cetim branco e o olhar firme, o desarma por dentro, mas ele não deixa isso transparecer.
— Não sabia que ainda estava acordada — comenta, subindo um degrau, com a voz mais baixa que o habitual.
— Não consegui dormir — Ava responde, sem desviar os olhos dele. — O dia foi… surreal.
Ele solta uma breve risada pelo nariz, subindo mais alguns degraus, devagar.
— Surreal é uma palavra suave para tudo isso.
Ela cruza os braços, deixando o tecido do robe escorregar um pouco pelos ombros, de propósito ou não, ele não sabe. Mas percebe. E sente.
— Onde esteve até essa hora? — ela pergunta, com um tom neutro. — Doris disse que você e o Mark saíram daqui apressados, como se algo tivesse acontecido.
Parando no último degrau antes de alcançá-la, ele deixa um espaço entre os dois.
— Estava resolvendo algumas pendências — responde, sem mentir, mas também sem explicar. — E você? Estava esperando por mim?
— Não tenho muitas opções de lugares para sair no momento, então fiquei aqui e esperei por você — diz, com um meio sorriso enigmático.
Ele inclina levemente a cabeça, enquanto seus olhos se escurecem.
— Isso é perigoso, Ava. Especialmente para alguém que assinou um contrato dizendo que não quer contato físico.
Ela dá de ombros, mas o olhar permanece firme.
— Eu não estou tocando em você, Hector.
— Mas está mexendo comigo — ele rebate, com a voz mais rouca, como se cada palavra o arranhasse por dentro e umedece os lábios de forma quase inconsciente.
O silêncio entre eles se instala e os olhos de Ava ainda o encaram por mais um segundo, mas logo ela desvia o olhar, respirando fundo.
— Já que… não aconteceu nada — diz, com calma — vou me deitar.
Ela se vira com leveza e o robe balança sobre suas pernas.
— Boa noite, Hector — diz, dando dois passos.
Mas antes que consiga dar o terceiro, a voz dele a chama, um pouco irônica e provocadora:

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