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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 67

Não foi difícil conseguir um voo de volta para os Estados Unidos. Horas depois, já em solo americano, Charlotte só conseguia pensar em uma coisa: cama.

Quando finalmente entra em casa, larga a mala no corredor, tira os sapatos ali mesmo e segue direto para o quarto.

O silêncio do lugar a envolve como um cobertor, e o corpo parece finalmente entender que pode parar.

Sem nem acender a luz, se j**a na cama, nem tira a roupa, só pensa.

Já estava acostumada com o silêncio daquela casa. Desde que Mark havia se mudado para ficar mais perto do trabalho, passava os dias sozinha e, de certo modo, havia aprendido a conviver com isso.

Nunca fez questão de conhecer alguém novo.

Depois de Ethan, o único homem que teve na vida foi o pai de Mark. Mas nem aquilo deu certo. Ela nunca conseguiu se entregar por completo, nunca se permitiu sentir o suficiente. A verdade é que sempre havia alguém ocupando espaço demais em seu coração… e esse alguém era Ethan Smith.

Passou toda a juventude esperando por ele, por um gesto, uma chance, uma reviravolta qualquer.

E, quando percebeu, os anos haviam passado… e ela ainda estava ali, presa a um amor que nunca foi dela de verdade.

Com o tempo, decidiu que era melhor seguir só.

Mais seguro. Menos doloroso.

E assim foi… até agora.

Mas naquele instante, deitada na própria cama, com o corpo pesado de cansaço e o coração leve por finalmente ter feito o que achava certo, sente que talvez esteja na hora de deixar aquilo para trás. De verdade.

O que viveu com Ethan não precisava ser esquecido.

Mas precisava, enfim, ser deixado no passado.

O cansaço a domina e ela apaga.

[…]

O dia amanhece com um sol generoso iluminando os jardins da mansão Moreau. O clima era tão agradável que, pela primeira vez em mais de um mês que estava ali, Ava decidiu mudar um pouco a rotina. Ao invés de tomar café no quarto, como vinha fazendo desde que chegou naquele lugar, resolveu descer e tomar à mesa.

Queria sentir um pouco da casa, do ambiente. Queria, talvez, lembrar a si mesma de que ainda tinha vida.

Ela desce devagar, vestida com uma roupa leve e confortável, e, ao entrar na sala de jantar, se depara com uma cena inesperada: Hector já estava ali, aparentemente tão concentrado no celular que nem percebe sua chegada.

Ele está sentado à cabeceira, com o cenho franzido e os olhos fixos na tela. Parecia distraído, pensativo… talvez até preocupado. Se aproximando em silêncio, ela nota o que ele está vendo: gráficos, números, então supõe que ele estava de olho no Mercado de ações.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Hector sente sua presença. Num reflexo rápido, bloqueia a tela e levanta os olhos devagar, e encara-a com aquela expressão séria de sempre, a que nunca revelava muito, mas também nunca escondia tudo.

— Bom dia — ela diz, com um leve sorriso, fingindo não ter visto nada.

— Bom dia, que surpresa vê-la em pé tão cedo.

Ava se senta calmamente à mesa, servindo-se de café como se tudo estivesse normal. Mas, por dentro, sua mente gira em silêncio. Ela viu o que ele estava fazendo. E sabe que ele percebeu isso também.

— Decidi aproveitar o dia — explica. — Dia agitado no mercado hoje? — pergunta, levando a xícara aos lábios com a voz casual, mas com o olhar atento.

Ele não responde de imediato. Apenas a observa por um momento, antes de dizer:

— Sempre é. Você quer saber mais? — Hector pergunta, calmo, quase desinteressado.

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