Algumas horas depois, Ava desperta, sentindo um leve peso sobre o corpo e, por um instante, não entende o que está acontecendo. Tudo ao redor está escuro, exceto pela luz fraca que vem do visor do ar-condicionado, lançando um brilho suave sobre o ambiente.
Ela pisca algumas vezes, tentando ajustar a visão… e só então percebe: aquele não é o seu quarto.
Seu coração dá um pequeno salto.
Com cuidado, vira o rosto e percebe a presença de Hector, deitado ao seu lado, respirando profundamente, com o braço atravessado por cima do seu corpo.
“Oh, céus… o que foi que eu fiz?”, ela pensa, sentindo o rosto esquentar ao lembrar do convite que, sonolenta, fez a ele. Eu pedi para ele deitar aqui comigo…
Engolindo em seco, tenta conter o pânico silencioso que sobe pelo peito. Devagar, retira o braço dele com delicadeza, cuidando para não acordá-lo. Hector se move levemente, mas continua dormindo.
Ela desliza para fora da cama, toca o chão frio com os pés e caminha até a porta com o máximo de silêncio possível. Gira a maçaneta devagar, abre só o suficiente para passar e, assim que sai, fecha a porta com cuidado atrás de si.
Mal ela termina de respirar aliviada, sente o coração pular de novo, agora pelo susto.
Parada, bem no meio do corredor, está Doris, com os braços cruzados e um olhar confuso.
— Ava? — diz, erguendo uma sobrancelha. — O que você estava fazendo no quarto do Hector?
Ela congela por um segundo, sem saber o que responder.
— Eu… — começa, mas logo percebe que nenhuma explicação sairia convincente àquela hora, ainda mais por estar com o cabelo bagunçado e os pés descalços.
Então, apenas suspira e faz um sinal com o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
— Vem comigo — sussurra, gesticulando para que Doris a acompanhe até o seu quarto.
Mesmo meio atônita, Doris não diz nada, apenas obedece.
Ao chegar em seu quarto, ainda com o coração acelerado pelo susto no corredor, Ava caminha direto até o armário, abre uma das portas com pressa e começa a procurar por uma roupa confortável.
— Que horas são? — pergunta, sem olhar para Doris, que a observa ainda tentando entender tudo o que acabou de acontecer.
— São cinco e meia da tarde — responde, olhando para o relógio de pulso.
— Será que você poderia preparar algo para eu comer no caminho? — pergunta, pegando uma calça jeans e uma blusa mais leve.
Doris franze a testa, visivelmente confusa.
— Caminho? Que caminho? Por acaso, você vai sair novamente?
Com a roupa na mão, Ava responde séria, mas com um leve brilho nos olhos:
— Sim, estou indo visitar os meus pais.
— Como assim? — Doris pergunta confusa, franzindo o cenho.

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