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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 114

Nuria

A cozinha da mansão estava silenciosa, envolta por uma penumbra suave das luzes noturnas. A maioria dos criados já havia se recolhido, deixando aquele espaço enorme só pra nós dois. Eu podia sentir o olhar dele nas minhas costas desde o momento em que abri a geladeira.

"Você vai mesmo cozinhar alguma coisa agora?" a voz de Stefanos veio preguiçosa, arrastada, como se fosse um felino esparramado no canto da sala.

Me virei, segurando um pote de legumes.

"Sim. Algum problema com comida de verdade, Alfa?" arqueei uma sobrancelha.

"Depende…" ele se levantou da cadeira alta encostada no balcão, caminhando até mim com aquele jeito de quem sempre tem segundas intenções. "Se for sopa, a gente vai ter um problema."

Revirei os olhos, rindo.

"Você ainda tá com essa birra infantil com sopa? Eu te salvei naquela noite, e é assim que você retribui?"

"Você me deu sopa." Ele parou atrás de mim, encostando o peito nu nas minhas costas. "Sopa, Ruína. Isso não é comida. Isso é castigo disfarçado de caldo."

"Exagerado." Murmurei, sentindo as mãos dele deslizarem pela minha cintura. "Era com raiz de gengibre e toque de limão... Receita de família"

"Seus pais que me perdoem, mas não quero que essa receita se mantenha na nossa família," ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo rir.

"Você é o lobo mais dramático que já conheci."

"Sou o mais sincero. E o mais faminto." As mãos dele apertaram levemente minha cintura, e ele colou os lábios na curva do meu pescoço.

"Vamos comer ou vai continuar me distraindo?" falei entre um riso e um suspiro.

"Posso fazer as duas coisas."

Me desvencilhei só o suficiente para me virar de frente, com o prato de ovos e legumes já picados entre nós.

"Você quer o quê então, majestade faminta?"

"Qualquer coisa que não boie."

"Você é insuportável."

"Mas irresistível." Ele piscou.

Balancei a cabeça e o empurrei de leve com o quadril. "Vai sentar ali e fica quieto."

"Sim, chef," ele respondeu com uma voz exageradamente obediente, sentando-se de volta no banco do balcão, os cotovelos apoiados, o queixo na mão, como se estivesse assistindo a um espetáculo.

Eu comecei a cozinhar, mexendo os ingredientes na frigideira, e de vez em quando sentia os olhos dele me queimando. O calor do fogão não era nada comparado ao calor que ele causava em mim com aquele olhar.

"Você fica sexy mexendo essa espátula," ele soltou, do nada.

"Pelo amor da Deusa, Stefanos."

"Não tô mentindo. Esse avental tá fazendo um estrago aqui embaixo."

"Você está com fome ou com fogo?"

"Os dois. Mas nesse momento, o cheiro tá vencendo."

"Graças à Deusa."

Terminei de montar dois pratos simples, mas bem temperados. Coloquei um na frente dele e me sentei ao lado, apoiando o cotovelo na mesa e o rosto na mão, observando ele dar a primeira garfada.

"E você ama isso."

"E você sabe que eu tô dolorida, né?" murmurei perto do ouvido dele, deixando o tom levemente sugestivo. "Mas… se você quiser muito, eu posso aguentar."

No mesmo instante, ele parou.

Me colocou de volta no chão, mas sem soltar minha cintura. Seus dedos afagaram minha pele com delicadeza, e o olhar dele mudou completamente.

Não havia mais luxúria.

Havia ternura.

"Você não precisa aguentar nada, Ruína. Não comigo."

Minha garganta apertou.

"Eu te quero de todos os jeitos, mas isso não significa que você tem que aplacar o meu lobo o tempo todo." Ele passou a mão no meu rosto com carinho, afastando uma mecha do meu cabelo. "Podemos só... deitar. Ler alguma coisa. Conversar. Ou ficar em silêncio. O que você quiser. A cama é para gente estar junto, não para você se sentir obrigada e ficar comigo."

Mordi o lábio, não por tensão... mas pra segurar a emoção.

"Por que você é assim comigo?"

"Porque você é minha," ele respondeu sem hesitar. "E ser meu não significa ser minha posse. Significa que eu cuido. Até quando você não pedir."

Encostei minha testa na dele, fechando os olhos por um instante.

Ali estava o meu lar. O meu lobo.

E, sim… mesmo sem sobremesa, eu estava completamente saciada.

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