Stefanos
O silêncio pós-tormenta ainda pairava no ar quando o celular dele vibrou.
Uma. Duas. Três vezes.
Porra.
Eu ainda tava dentro dela quando aquela merda começou a chamar. Quase ignorei. Quase mandei o mundo inteiro se foder. Mas aí vibrou de novo. E de novo.
Respirei fundo, encostando o rosto na curva do pescoço da Nuria.
Ainda quente. Ainda minha.
"Cinco minutos. Só cinco malditos minutos..." murmurei contra a pele dela.
"Cinco minutos? Você ainda tá em cima de mim, lobo," ela disse, com a voz rouca, embriagada de prazer.
Deusa.
Rolei pro lado, puxando o ar como se tivesse acabado de voltar de uma batalha. E voltei mesmo. Porque reconquistar Nuria... sempre foi a guerra mais perigosa que já enfrentei.
O celular vibrou de novo, lá no chão. Longe. Insistente.
"Alguém quer morrer logo cedo," murmurei.
"Vai atender," ela provocou, com um meio sorriso nos lábios, ainda deitada, só o lençol cobrindo parte do corpo. Um pecado vivo.
"Atende você," falei, me levantando. "Diz que o Alfa tá ocupado. Em plena ressurreição pós-apocalíptica."
Ela riu. Aquela risada que me faz querer nunca mais sair de perto.
Enquanto eu pegava o celular, pelado e sem pressa alguma, percebi o olhar dela.
"O que foi lobinha? Quer se perder mais uma vez?"
"Não seja bobo, e não tente me distrair. Aonde você vai?"
"Pro nosso quarto ué?" a olhei sem entender.
"Você vai sair pelado no corredor?!"
"Você me conheceu com sangue no rosto, cheiro de morte e cem lobos caídos aos meus pés. E está surpresa por eu estar sem cueca?"
"Você é o Alfa! Tem criados aqui!"
"Então vão aprender duas coisas hoje: um, o Alfa tá de bom humor. Dois, a Luna tem um gosto excelente."
Ela quase me bateu com o travesseiro, mas se enrolou no lençol e se levantou.
Linda. Descabelada. Minha.
O celular vibrou de novo. Atendi.
"Fala."
(…)
"Já? Agora? Tô indo."
Desliguei e encarei a loba que quase me adestrou no chão do quarto de hóspedes.
"Temos que voltar pro nosso quarto. Temos uma reunião em uma hora."
"Você vai assim?"
"Vou."
"Você não tem vergonha nenhuma, né?"
"Não. E o motivo tá bem na minha frente, enrolada num lençol, com cara de quem ainda quer mais."
Peguei minhas roupas do chão, as dela também, joguei tudo sobre o ombro. Ela tentou pegar o lençol com mais firmeza, e eu tive vontade de arrancar.
"Você deveria andar nua comigo pela mansão. Mostrar quem manda."
"Você é um escândalo," ela sussurrou, corada.
"Eu sou seu escândalo."
E saímos. Eu, com o orgulho balançando no corredor. Ela, rindo e me xingando baixinho.
Foi só virar a esquina que o universo resolveu brincar de novo com a gente.
Jenna.
Ela parou no corredor com uma bandeja de chá nas mãos. Os olhos arregalaram como se tivesse visto um fantasma pelado ...e tecnicamente, viu.
"Bom dia," falei, como se estivesse de terno. Dei até um aceno.
Ela piscou, olhou pra Nuria, depois pra mim. Depois pra qualquer lugar que não fosse o meu quadril.
"Eu… eu tava indo… mas… posso ir… posso desistir de viver agora também."
E saiu correndo.
Nuria quase caiu no chão de tanto rir. E eu? Eu puxei ela pela cintura, colando nosso corpo outra vez.
"Essa casa precisava de um susto matinal."


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