Stefanos
Os corredores estavam em silêncio. Mas o cheiro da tensão se espalhava como veneno.
Nuria caminhava ao meu lado. Postura ereta. Olhos à frente. Um passo atrás de mim, não por submissão, mas por estratégia.
Porque quando um Alfa entra possesso em uma reunião… a Luna vem logo atrás, pra decidir quem vai sobreviver à explosão.
As portas da sala se abriram com um estrondo.
Ninguém falou.
Todos sabiam que eu não estava ali pra ouvir merda.
Meus olhos varreram cada rosto reunido naquela mesa.
"Alguém quer comentar o atraso?" perguntei, passando os olhos por todos eles.
Silêncio.
Ótimo.
"Alguém entrou na minha casa."
Minha voz soou firme. Fria. O tipo de tom que até o lobo mais audacioso reconhece como sentença.
"Passou pelos guardas. Pelos sensores. Chegou ao quarto onde minha Luna dormia."
Joguei o bilhete no centro da mesa.
"Ela não é sua."
As palavras queimavam mais do que prata.
"Aquilo foi uma provocação. Um recado. Mas também foi um erro."
Peguei o botão de tecido e joguei junto. O símbolo ficou visível quando girou: uma serpente envolta numa lua minguante.
"Vocês sabem o que é isso?"
Ninguém respondeu.
"Alguém aqui tem coragem de me dizer que não reconhece esse símbolo?"
Olhei nos olhos de cada um. Nenhuma reação. Nenhum som.
Até Nuria se adiantar um passo.
"É da Alcateia Eclipse. Os Filhos da Lua Negra."
Os olhares se voltaram pra ela. Mas a voz dela não tremeu.
"Meu pai contava histórias sobre eles. Eram nômades, hábeis em camuflagem. Desapareceram antes de eu nascer, mas... não porque foram extintos. Sumiram quando o Alfa deles foi morto por alguém da própria matilha. Diziam que ele guardava um segredo antigo. Algo... ligado à linhagem da Deusa."
"Você acha que eles estão atrás de você?" um dos lobos se atreveu a perguntar.
"Não." Ela olhou para mim. "Eu tenho certeza."
Meu maxilar travou.
"Então vou falar uma última vez pra todos aqui entenderem."
Dei um passo à frente e apoiei as duas mãos na mesa. A madeira estalou.
"Estamos em guerra."
O peso da frase caiu como pedra.
"E essa guerra não é só contra inimigos externos. É contra traidores."
Passei o olhar por cada um. Um por um. Avaliando. Julgando. Gravando cada cheiro.
"Alguém abriu as portas. E se eu tiver que caçar um por um pra descobrir quem foi… eu caço."
"Alfa, com todo respeito…" um dos generais tentou argumentar. "Podemos estar lidando com uma ameaça sobrenatural. Uma magia antiga…"
"Não é magia. É espionagem." Cuspi a palavra com desprezo. "E alguém aqui está envolvido."
O silêncio voltou.
Letal.
Gelado.
"Mas eu não quero caçar meu próprio povo. Ainda não."
Me endireitei.
"Então vou fazer uma oferta."
A sala ficou mais tensa, se é que era possível.
"Quem trouxer o informante, o traidor, ou qualquer rastro que leve até ele… terá um lugar ao meu lado. Uma posição de poder. Respeito. E, se for um lobo caído da minha própria estrutura, a chance de redenção."
"Se estiver mentindo... vai morrer junto com o traidor."
As palavras foram ditas com calma. Mas eram mais afiadas que garras.
"Tem até o amanhecer pra me trazer algo."
Olhei novamente para Nuria. Ela assentiu, firme.
"Reunião encerrada."


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