Stefanos
O chão vibrava sob meus pés.
As paredes. O teto. O ar.
Tudo parecia estremecer ao meu redor enquanto caminhava pelo corredor do subsolo.
Mas não era o ambiente.
Era eu.
O lobo dentro de mim não rosnava mais.
Ele ruía. Rasgava. Ansiava por sangue.
As luzes piscavam como se a eletricidade temesse se manter acesa diante da minha fúria. Os soldados no caminho abriram espaço, recuando como se meu toque queimasse.
E queimava.
O mundo inteiro parecia saber que o Alfa havia ultrapassado todos os limites da tolerância.
O caos ao redor… silenciava.
Porque quando um lobo como eu entra em modo de caça, até o ar segura o fôlego.
A cela estava à frente.
Pesada. Reforçada. Fria como o metal da morte.
O lobo estava ali. Sentado na maca improvisada, cabeça baixa, os cotovelos apoiados nos joelhos. Parecia calmo.
Parecia.
Até levantar os olhos e me encarar.
E sorrir.
Um sorriso sádico, doente. Como se estivesse orgulhoso.
“Abra,” ordenei, sem olhar para os guardas.
A porta foi destrancada com um estalo metálico. Entrei devagar. Lento. Estudando cada movimento dele como predador diante de uma presa estúpida.
“Então?” comecei, sarcástico, a voz mais baixa que o necessário, e justamente por isso, mais perigosa. “Quem é você?”
O lobo se levantou com calma.
"Alguém que sabe o que a sua Luna é."
Inclinei a cabeça para o lado, observando. “Ah, é? E o que ela é, então?”
Ele sorriu de novo, os olhos escurecendo como lama.
“Algo que você ainda não descobriu. E quando descobrir... já vai ser tarde demais. Assim como eu, outros virão.”
Meu sorriso respondeu ao dele. Letal.
Em um único movimento, atravessei o espaço entre nós e o agarrei pelo pescoço.
Os olhos dele se arregalaram. Pela primeira vez, o medo apareceu.
“Engraçado…” murmurei, levantando-o do chão com uma única mão. “Você não parece mais tão confiante.”
Ele tentou falar, tentou se soltar, mas meu aperto aumentou. O som de sua traqueia ameaçando ceder me deu prazer.
Então o arremessei contra a parede. O impacto ecoou como trovão.
“Mas eu admito,” falei, andando devagar até ele enquanto cuspia sangue. “Você é corajoso. Invadir a casa do Alfa. Tocar na Luna dele…”
Ele ergueu o rosto, a mão ainda na garganta. Mas o olhar sustentava o meu.
“O mundo seria melhor sem ela. Sem essa linhagem maldita.”
Meu sorriso cresceu. Perigoso.
“É, acho que temos opiniões bem diferentes sobre isso.”
“Você está sendo manipulado, Stefanos. É isso que ela faz. É isso que essa linhagem faz. Elas se protegem com lobos poderosos, criam laços… e depois, destroem tudo. A Alcateia Eclipse pode te libertar. Basta você aceitar...”
“Aceitar?” perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
“Uma quebra de vínculo. Livre-se dela. E tudo isso acaba.”
Por um segundo, fiquei em silêncio.
Então ri.
“Não. Não quero a quebra de vínculo.” Me aproximei mais. “Mas sabe o que eu quero?”
Ele hesitou.
“Quero quebrar cada osso desse seu corpo de verme traidor.”
A próxima investida foi brutal. Ele tentou se defender, mas eu não deixei espaço para reação. Meu punho atingiu o estômago dele com força, tirando o ar. O segundo golpe foi no maxilar. O terceiro... nem sei onde bateu. Só sei que o sangue começou a jorrar.
Ele gritou.
Começou a suplicar.
Gemidos abafados, olhos dilatados, sangue escorrendo pela boca.
Mas eu não escutava nada.
Nada além do som do grito da Nuria preso na minha mente.
O grito que ela soltou quando o punhal atingiu sua perna.
O som mais cruel que já ouvi.
"Quero nomes," sibilei, segurando o rosto dele pelos cabelos, forçando-o a me encarar. "Localizações. Como você entrou. Como chegou perto da minha mulher."



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