Jenna
O sangue dela ainda estava no chão.
Eu não conseguia parar de olhar.
Apoiei a mão no corrimão da maca, tentando controlar a náusea, enquanto o cheiro metálico da dor ainda enchia o ar. O lençol usado para estancar o ferimento havia sido jogado num cesto, mas meu olhar insistia em voltar para ele.
Nuria.
Minha amiga.
Minha Luna.
Stefanos a trouxe nos braços. Gritando. Sangrando. Rasgando o mundo com o som do nome dela.
Fechei os olhos por um instante, tentando afastar a cena da mente.
Mas foi inútil.
A porta se abriu com um estrondo abafado e me fez saltar de susto. Virei rápido.
Rylan.
Estava de pé.
Ou quase.
Ainda sem camisa, o ombro enfaixado, os fios de cabelo molhados de suor. O corpo inteiro tenso, como se cada músculo estivesse pronto para a guerra.
"Você devia estar deitado," falei, correndo até ele. "O que pensa que está fazendo? Ainda está com soro no braço!"
"Não me importo com o soro," ele respondeu, tirando os eletrodos com uma precisão impaciente. "Me importo com Stefanos e minha alcateia. Eu tenho que ajudar."
"Você só pode estar brincando?" franzi a testa. "Você viu o estado da Nuria?"
"Vi. E sinto por ela. Mas Stefanos…" Ele parou por um segundo, os olhos queimando em alguma lembrança que só ele conhecia. "Se ele perder o controle agora, não vai sobrar nada pra ser salvo. Nem traidor. Nem testemunha. Nem futuro."
Engoli em seco. Ele tinha razão. O problema maior agora não era só a dor.
Era o que a dor fazia com o Alfa.
"Você ainda não está pronto pra sair dessa maca," insisti, tentando empurrar o peito dele e me arrependendo no mesmo instante.
O toque foi breve.
Mas intenso demais.
Meu corpo reagiu antes que eu pudesse fingir o contrário.
Senti o calor. O cheiro. A força.
E ele... apenas ergueu uma sobrancelha, como se não tivesse sentido nada.
"Entendo agora por que você e a Luna se deram bem..." ergui a sobrancelha. "Duas desbocadas, sem amor a vida." eu quis rir, mas não dei esse gostinho a ele.
"Vou chamar um médico para pegar o acesso do seu braço novamente." fui me afastar, mas ele me puxou de volta, segurando meu cotovelo, e me puxando para mais perto dele.
"Não preciso de mais remédios..." seus olhos me estudavam de forma diferente agora e um ronronar cantou em meu peito, minha loba se eriçando com a atenção que ela nunca esperou receber dele.
"Pre..precisa sim..." engoli em seco.
"Com medo, lobinha?" seus olhos pareciam despir minha alma.
"Eu... de você?" me afastei cambaleante. "Por que eu teria?" minha respiração estava alterada, e minha loba em chamas.
"Tão fácil te tirar da razão...será que se eu te beijar, você suspira?" meu queixo caiu e corei instantaneamente. E então para o meu desgosto, ele começou a rir e me senti furiosa.
"Seu babaca..." cruzei os braços, irritada.
"Você devia ver a sua cara." engoli o choro e a humilhação que senti, e cruzei os braços.
"Quer saber, beta. Você que se cuide sozinho. Vou ficar perto de quem realmente vale a pena." virei as costas e sai andando, em direção a maca da Nuria, que começava a recuperar a cor.
"Jenna! Eu só tava brincando. Lobinha, não leva a sério assim…"
Mas já era tarde.
Porque o que ele provocou em mim… não foi brincadeira.

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