Rylan
Merda.
Encostei a cabeça no travesseiro da maca, respirando fundo. Meus músculos ainda doíam, o ombro ardia, mas não era isso que me incomodava.
Era ela.
Aquela maldita garota de 18 anos que tinha a audácia de se meter onde não devia.
A audácia de querer me enfrentar. De achar que me conhecia melhor do que eu mesmo.
Fechei os olhos por um segundo. Só um. Mas tudo o que vi foi o rosto dela... vermelha, ofegante, os olhos arregalados quando brinquei com a ideia de beijá-la. E o pior?
Se eu tivesse me aproximado mais um centímetro… teria feito.
Teria beijado, sim.
E aí estaria fodido de vez.
"Porra…" murmurei, batendo a nuca contra o travesseiro com frustração.
Ela me irritava. Com aquele jeito mandão, a língua afiada, e esse impulso de cuidar de mim como se ela fosse dona de alguma parte minha.
Mas o pior?
Ela não tava errada.
Eu não devia ter saído da maca.
E também não devia ter provocado.
Mas fiz as duas coisas porque... ela me tirou do eixo. Porque me fez sentir. E eu odeio sentir.
Respirei fundo de novo, tentando me organizar, mas tudo que veio foi o toque dela no meu peito. O jeito como o corpo dela tremeu quando a puxei. O ronronar que escapou baixo.
A loba dela respondeu.
O meu também.
E isso me apavora mais do que qualquer batalha lá fora.
Porque eu não posso. Não com ela.
Ela é jovem demais. Leve demais. Cheia de fé em coisas que eu já nem lembro como acreditar.
E eu?
Sou guerra.
Ela merece paz. Leveza.
Não um beta quebrado e marcado até os ossos.
Mas... merda, como ela me afeta.
Ouvi a voz dela do outro lado da enfermaria, perto da Nuria. Fingindo que nada aconteceu. Ignorando minha existência com um esforço tão óbvio que me deu raiva.
Ela queria distância?
Que tivesse.
Mas se algum lobo ousasse se aproximar… do jeito que eu fiz... vai sangrar.
“Jenna?” um enfermeiro se aproximou. Eu o vi. Sorrindo. Educado demais.
Parecia um carma.
“Alguma mudança?”
Ela negou com um gesto, alisando os cabelos da Nuria.
“Acho que ela só vai acordar quando o Alfa voltar.”
“Então... talvez a gente possa tomar aquele café que combinamos, lembra? A cozinha tá tranquila agora.”
Me sentei de imediato, os sentidos à flor da pele.
“Não sei se é uma boa ideia,” ela respondeu, hesitante.
E algo no tom dela me atingiu. Os olhos... estavam diferentes. Mais molhados. Mais... magoados?
Merda.
Fui eu que fiz isso?
“Por quê? Naquele dia, você parecia animada… Se não fosse o ataque...”
Rosnei.
Alto.
“Rylan, tudo bem?” o enfermeiro veio até mim. “Quer que eu chame um médico? Seus acessos...”
“Não.” Minha voz foi cortante. “Só preciso que entenda uma coisa…” me inclinei levemente. “Fique longe dela.”
Ele congelou. Os olhos da Jenna também.
“Senhor, eu...”
“Você me ouviu.”
Ele assentiu e saiu. Pálido.
Nem olhou pra ela. Nem pra mim.
“Você está louco?” ela se aproximou. “O que disse pra ele?”


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