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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 127

Nuria

A primeira coisa que senti foi o cheiro.

Não o da enfermaria, nem o das compressas ou do sangue seco que ainda pairava no ar.

Mas o dele.

Amadeirado. Denso. Familiar. Misturado com uma nota de algo novo.

Algo quebrado.

Abri os olhos com esforço. As pálpebras pesavam como se o mundo tivesse desabado sobre mim. A luz era fraca, filtrada por uma das janelas parcialmente fechadas.

A dor veio logo depois.

Forte. Pulsante. Na coxa.

Um lembrete de que não foi um sonho.

O ataque. O sangue. O medo.

Tentei mexer a perna, mas um gemido escapou antes que conseguisse. O corpo inteiro estava fraco, mas ainda assim... vivo.

Virei o rosto devagar.

E então vi.

Stefanos.

Sentado em uma poltrona ao lado da minha maca, o cotovelo apoiado no joelho, a mão entrelaçada à outra, os olhos fixos em algum ponto perdido do chão.

Ele estava ali.

Mas parecia... longe.

Como se o corpo tivesse voltado, mas a alma ainda estivesse presa no corredor onde tudo aconteceu.

Não usava camisa. O torso estava sujo. Manchado. De sangue. De raiva. De guerra.

A barba por fazer dava um ar mais bruto, mais selvagem. Mas era a expressão que mais doía.

Ele estava em silêncio.

Não o silêncio tenso de quando está prestes a explodir.

Mas o silêncio de quem já explodiu... e agora recolhe os cacos.

"Stefanos..." minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.

Ele piscou. Só uma vez.

E então me olhou.

O rosto dele se contraiu, e por um instante... parecia que o tempo parou de novo.

"Ruína..." ele sussurrou, se levantando num salto e se aproximando da maca. "Deusa... você acordou."

"Eu... estou dolorida," tentei sorrir, mas a dor me fez fechar os olhos por um segundo. "Mas estou bem... é isso que importa, né?"

"Ah Ruína... que merda..." ele falou e ri fraco. Sua boca tocava minha testa, dando vários beijos repetidos. "Você não sabe o inferno que eu estou. Se você não acordasse... eu destruíria tudo." A voz dele estava rouca. Arranhada. "Você não faz ideia do que foi ouvir você gritar. Sentir seu sangue nas minhas mãos. E não poder fazer nada."

Toquei o rosto dele com a ponta dos dedos.

Estava quente.

Tenso.

"Você fez. Me trouxe até aqui. Ficou comigo."

"Não foi suficiente."

"Foi sim."

Os olhos dele estavam vermelhos. Não por cansaço. Mas por tudo o que ele segurou. O que ainda segurava.

"Você dormiu por quase um dia inteiro. Eu fiquei aqui... vendo cada movimento do seu peito. Contando as respirações. Com medo da próxima não vir."

Meu peito apertou.

"De novo eu te assustei..."

"Você ainda vai me infartar."

Rimos. Fraco. Cansados. Mas vivos.

O riso dele foi breve, preso no fundo da garganta, como se nem isso tivesse força pra sair inteiro. Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando ainda mais os fios, e abaixou o rosto até encostar a testa na minha mão.

"Eu jurei que não ia te perder, Nuria." A voz dele saiu abafada, trincada. "E por um segundo… por um mísero segundo… achei que tinha falhado."

"Mas você não falhou," sussurrei, roçando os dedos na bochecha dele. "Você chegou a tempo. Eu me lembro. Você estava lá… gritando meu nome."

127. Luta sem fim 1

127. Luta sem fim 2

127. Luta sem fim 3

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