Stefanos
O som dos monitores na ala médica era o único ruído constante... suave, ritmado, quase como o som de uma respiração tranquila.
A respiração dela.
Nuria dormia. Pela primeira vez em horas, seu rosto não estava tão pálido. Havia cor nas bochechas. Calor na pele. O pulso no pescoço seguia estável. E o ferimento... estava se fechando.
Me levantei da maca e a encarei em silêncio, passando os dedos com cuidado por sua têmpora. A pele ainda quente, mas agora... serena. Como se a tempestade tivesse recuado.
"Você é a loba mais indomável que já conheci, Ruína. E o mundo ainda vai se curvar diante do império que vamos erguer juntos."
Toquei seus lábios com os meus, um beijo leve, silencioso, reverente. Depois me afastei, sentindo o peso do mundo escorregar de volta sobre os ombros.
Rylan estava recebendo alta naquela manhã. Os médicos liberaram com a condição de repouso, mas eu conhecia meu beta. Ele não era exatamente do tipo que seguia ordens médicas.
Na ala oposta, encontrei-o sentado na maca, só com a calça preta, o ombro recém-enfaixado e uma expressão de quem já queria estar na linha de frente da próxima guerra.
"Não devia estar em pé ainda," comentei ao entrar.
"E você não devia ter saído do lado da Luna," ele rebateu, cruzando os braços. "Ela está bem?"
Assenti com um movimento breve.
"Dormindo. Com mais cor no rosto. Mais... ela."
Rylan soltou um suspiro e esfregou o rosto. "Graças à Deusa. Parece que tudo que tinha para dar errado, deu."
"Infelizmente." Cruzei os braços, encostando na parede. "Mas temos informações novas."
Rylan ergueu o olhar.
"Já acertei as contas com o lobo que atacou Nuria. Ele falou. Soltou tudo. E morreu como um completo covarde que era."
"O que ele contou?"
"Ele não agiu sozinho. Foi ajudado. Por alguém que conhecemos."
"Quem?".
"Diana."
O impacto foi visível. Os olhos dele se estreitaram, a mandíbula travou, os punhos fecharam com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
"Ela mapeou tudo. Usou a confiança que tinha com os criados. Com a Nuria. Com você. Planejou o ataque. E ainda por cima..." respirei fundo. "Está grávida."
"Grávida?" ele repetiu, confuso.
"De Johan. Ou pelo menos é o que ele acredita."
Rylan arqueou uma sobrancelha, ainda sem absorver completamente.
"Você acha que pode ser verdade?"
"Talvez. Mas eu não subestimo Diana. Se ela achou que um filho podia protegê-la de mim... pode muito bem ter escolhido Johan como escudo." Sorri, frio. "Ou como isca."
O silêncio que se seguiu foi mais denso do que ar.
"Você quer a cabeça dela?" ele perguntou.
"Quero." Me aproximei um passo. "Mas e se a criança for realmente dele?"
"Claro. Assim você cai no corredor e quebra outra parte do corpo. Genial." Jenna bufou.
Ergui uma sobrancelha.
"Viu? Agora entende por que ela e a Nuria são tão amigas?" ri baixo. "Duas desbocadas de gênio difícil."
"Quer que eu conte ao Alfa sobre sua rompantes ontem, Rylan?" ela respondeu, olhos estreitos, e ele revirou os dele.
"Obrigado, Stefanos. Vou cuidar do que me pediu... e resolver essa situação."
A voz dele estava firme, mas o olhar evitou o meu.
Ele queria lidar com isso sozinho. Queria manter o controle, principalmente do que estava acontecendo entre ele e a garota.
Assenti, mesmo sabendo que tinha algo ali… algo escapando pelos dedos.
Saí da sala com a nítida sensação de que estava deixando uma peça solta num tabuleiro que já tinha peças demais.
Mas naquele momento…
Voltar pra ela era mais urgente.
Entrei na ala silenciosa e a encontrei como havia deixado.
Nuria ainda dormia.
Respiração leve. Corpo sereno.
E por enquanto… era só isso que importava.

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