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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 129

Nuria

Acordei com a sensação de vazio.

Não era dor.

Nem frio.

Era... ausência.

Do calor dele.

Do peso do seu corpo na borda da maca. Do som rouco da sua respiração perto da minha orelha. Do cheiro dele misturado ao da enfermaria.

Tentei me mexer. A perna ainda latejava, mas o curativo estava firme. O corpo mais leve. Menos dor. Mais lucidez.

Mas o lugar ao meu lado… estava gelado.

"Stefanos?" chamei, a voz rouca, arranhada por dentro. Esperei por passos. Por um toque. Por qualquer coisa que me dissesse que ele ainda estava ali.

Silêncio.

Tentei abrir os olhos.

Pisquei uma vez.

Duas.

Nada.

A escuridão me envolveu como um cobertor sufocante.

Franzi o cenho, virei o rosto em direção à janela onde sabia que a luz entrava pela manhã. Mas tudo o que vi... foi o mesmo preto denso e absoluto.

"Não…" sussurrei para mim mesma. "Não, não, não…"

Meus dedos tocaram o próprio rosto, os olhos. Piscavam, sim. Mas não viam.

O ar ficou pesado. O peito, apertado.

O medo… real.

"Tô cega… Deusa, tô cega…" minha voz virou um sussurro de pânico. "JENNA?!"

O grito rasgou minha garganta. Subiu com tudo que eu ainda tinha dentro de mim.

"ALGUÉM! JENNA, POR FAVOR!" minha voz ecoou contra as paredes, desesperada.

Passos correram no corredor.

A porta se escancarou com um baque seco.

"Nuria?!" a voz dela, quente, urgente. "Tô aqui, calma!" Ela se aproximou num segundo. "O que está acontecendo? Está sentindo dor?"

"Eu não consigo ver," soltei com um soluço preso. "Eu… não tô vendo nada, Jenna. Nada!"

As mãos dela seguraram as minhas. Firmes. Quentes. Seguras.

"Você bateu a cabeça? Alguma dor nova? Fala comigo!"

"Não! Só... a perna! Foi a perna!" minha respiração já saía aos trancos. "Mas estava tudo bem antes! Eu estava vendo... eu juro que estava vendo..."

"Shhh…" ela murmurou, encostando a testa na minha. "Respira comigo. Devagar. Inspira… isso. Agora solta."

Tentei. Mas o medo era maior. As lágrimas escorriam sem controle. O peito subia e descia como se eu tivesse corrido por horas.

"Jenna... o que tá acontecendo comigo?"

"Talvez seja só estresse. Ou o trauma. Pode ser da perda de sangue, Nuria. Mas você vai ficar bem, eu prometo. Vou buscar o médico para ele te examinar e descobrir o que está acontecendo."

"Não me deixa sozinha..." implorei, a voz falhando de novo.

"Nunca. Eu tô aqui."

Me agarrei nela. Forte. Como se aquele contato pudesse me manter inteira.

"Stefanos disse que ficaria aqui…" sussurrei, ressentida. “Onde ele está?”

"Ele precisou ir até a sede. Rylan teve alta, mas ainda está fraco, então o Stefanos foi resolver algumas coisas e me pediu pra ficar aqui com você. Ele mal saiu, Nuria. Não faz nem dez minutos."

Assenti levemente, mas o pânico ainda pulsava.

"Jenna… se for permanente? Se for assim agora? Se eu já tinha dificuldades em me proteger quando eu enchergava, como vou fazer isso agora?"

"Não vai ser," ela disse, como uma prece. "Me deixa chamar os médicos. Você precisa ser examinada."

"Não. Por favor, fica. Só mais um segundo."

Ela me abraçou de novo.

E foi aí que tudo mudou.

129. Apagão 1

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